Você sabe o que é psilocibina e qual os seus efeitos no organismo?

(Imagem: Michael M/Pixabay)

Por João R. Negromonte

Segundo relatório de 2022 sobre saúde mental da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1 bilhão de pessoas em todo mundo convivem com algum tipo de transtorno mental. Por esse motivo, pesquisadores e cientistas estão constantemente em busca de soluções que possam amenizar esse quadro e, uma possível saída, tem sido a psilocibina. 

A substância, encontrada em alguns tipos de cogumelos do gênero psilocybe, é um alcalóide com estrutura análoga à serotonina, neurotransmissor do Sistema Nervoso Central responsável por regular o ritmo cardíaco, o sono, o apetite, o humor, a memória e a temperatura do corpo.

Desse modo, o uso de microdoses do alucinógeno tem se mostrado eficaz no combate de doenças como ansiedade, depressão, crise de pânico, propenção ao suicídio e dependência química. 

Realidade no país

No Brasil, o uso de substâncias psicodélicas é controlado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que, por meio de autorizações excepcionais e prescrição médica para uso individual, permite a importação destes produtos desde 2013.

Para Marco Algorta, colunista do portal Sechat e um dos fundadores do primeiro centro de tratamento com compostos psicodélicos de São Paulo, Clínica Baneva,  aponta que “todos os tratamentos são feitos dentro do marco regulatório e existe um grande interesse de médicos e reguladores para que o tema continue avançando”.

Estudos recentes

Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Monash, em Melbourne, Austrália, vem estudando cérebros adultos saudáveis para avaliar como os mesmos reagem quando em contato com substâncias psicodélicas. Os profissionais buscam identificar os caminhos que fundamentam esses efeitos, principalmente da psilocibina. Desse modo, poderão chegar a uma compreensão plausível de como partes diferentes do órgão se conectam.

O estudo, denominado PsiConnect é o primeiro ensaio clínico de imagem em participantes sob efeitos psicodélicos na Austrália. Ao todo, são 60 participantes se apresentando como um dos maiores ensaios de imagem psicodélica do mundo.

Uso medicinal

São diversos os tipos de psicodélicos existentes. Alguns derivados de plantas, outros de fungos e até aqueles oriundos de animais, como o 5-MeO-DMT, do sapo Bufo Alvarius

Quando uma pessoa ingere uma substância psicoativa, sua conectividade cerebral passa por uma reorganização que altera a percepção. Isso pode ainda causar alterações visuais e mudar a autopercepção.

No estudo  da universidade australiana foi utilizado uma dose de 19 mg de psilocibina que, com base em pesquisas  anteriores e recomendações de cientistas, criou uma forma confiável dos efeitos psicodélicos do composto, isto é, tolerado por adultos saudáveis.

Metodologia

Os participantes  passaram por duas sessões de ressonância magnética. Uma feita antes do uso da psilocibina, enquanto a outra ocorre depois da ingestão da substância. A maioria das pessoas relataram sentir os efeitos do alucinógeno cerca de uma hora após a ingestão, momento quando a varredura começa. 

O ambiente onde ocorre o experimento é controlado, fazendo com que os voluntários se sintam confortáveis, além de sempre contar com a presença de um pesquisador que acompanha todo o procedimento.

A princípio, a ressonância magnética funcional tira fotos de alta resolução de todo o cérebro, incluindo as partes subcorticais profundas. Após isso, é medido como a atividade cerebral muda com o tempo. Os estudiosos usam ainda um eletroencefalograma para monitorar as mudanças de milissegundos nas conectividades do órgão.

Os pesquisadores incluem ainda, algumas músicas diferentes para testar os efeitos da psilocibina de forma mais ampla. Em seguida, conversam com os participantes para compreender os mecanismos de percepção, associando relatos subjetivos às mudanças observadas.

Até o momento, os relatos foram diversos. Alguns disseram enxergar padrões em movimentos, enquanto outros não apresentaram  qualquer alteração visual. Uma parte, também relatou experiências corporais, já outra descrevem jornadas místicas.

Embora tudo pareça um pouco assustador, os cientistas afirmam que está sob controle, destacando que, de fato, o uso da psilocibina pode ajudar a compreender melhor o cérebro humano a lidar com doenças mentais de extremo impacto.

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