Genética, epigenética e cannabis

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(Imagem: Arquivo/Sechat)

Por Adriana Russowsky

Cada organismo é único, e vem ao mundo com um funcionamento bioquímico específico, com origem na forma como foi concebido e por seus ancestrais. A partir do momento que nasce, os seres ficam expostos a fatores ambientais que podem modificar até mesmo o DNA. O mesmo ocorre com o sistema endocanabinoide (SEC) dos seres vivos, para aqueles que o possuem. Isto também vale para a composição fitoquímica das plantas, incluindo a Cannabis. Mas porque isto é significativo quando se fala de saúde e tratamentos?

Genética e Epigenética

As  doenças epigenéticas são as que mais afetam a população, lotam consultórios médicos e oneram os sistemas públicos de saúde. Ou seja, aquelas adquiridas por traumas, exposição a toxinas e estilo de vida. Daí a importância de repensar hábitos de consumo e como levamos o dia a dia.  Claro, não menos importantes, ainda existem as doenças genéticas e a predisposição individual de cada ser para desenvolver determinadas patologias.

A evolução da medicina genética nos trouxe respostas e melhorias nos tratamentos, por meio da tecnologia, e assertividade na análise para estruturação dos protocolos de cada paciente. Um exemplo são os testes genéticos. Custosos e de limitado acesso as minorias, mas que norteiam os profissionais da área da saúde para uma melhor condução da prática e profissional. Com ele, os pacientes apresentam melhor consciência de sua realidade e os passos que devem ser tomados com o autocuidado. Essas evoluções da ciência se estendem para a temática canábica.

A aplicação medicinal da genética da cannabis 

Se formos falar da genética da planta, uma realidade para cultivadores e fazendas especializadas, temos inúmeras possibilidades, devido ao trabalho biotecnológico realizado com a escolha da melhor semente para determinada área de cultivo, otimizando a produção e reduzindo a necessidade de utilização de defensivos, energia elétrica e nutrientes. Pois então, o que antigamente eram três espécies (sativa, ruderalis e indica), hoje, já não existe mais tamanha naturalidade e originalidade, afinal, virou uma planta com cultivo global e que passou por inúmeras manipulações e melhorias, assim como o trigo.  

Temos ainda a ideia a ser explorada sobre a composição genética fitoquímica de cada planta, para  selecionar os canabinoides, terpenos e flavonoides que ali estarão contidos e escolher a melhor genética para cada doença a ser tratada. E este pensamento e estudos estão em evolução, assim como todo o restante da produção científica relacionada à temática. Um óleo broad spectrum rico em CBD para aqueles pacientes que não podem utilizar THC, um óleo full spectrum com maior dosagem de THC na esclerose múltipla, uma strain específica fumígena para déficit de atenção (como a Jack Herer, por exemplo), ou alguma outra mais relaxante com linalol e limoleno para quem apresenta problemas de insônia, ou  pensar em um extrato livre de defensivos e edulcorantes para pacientes com depressão e autismo.

Genética do Sistema Endocanabinoide

Disponíveis facilmente no país, os testes genéticos mapeiam nosso SEC e, por  meio  deles, são avaliados os canabinoides e o perfil de terpenos mais adequados para a terapia personalizada, uma vez que, tais substâncias também atuam ligando-se aos receptores de nosso sistema endocanabinoide. Como este sistema é um dos maiores do nosso corpo e estão relacionados diretamente ao sistema imune, a inflamação, ao sono, estresse, bem-estar, humor, alimentação, comportamento sexual, entre outros, acaba sendo muito interessante em uma jornada de autoconhecimento e adequação de estilo de vida.

Dos inúmeros estudos nesta área destaco o publicado em 2021 pela Neuroscience Letters por Lazary e colaboradores, sobre algumas variantes genéticas e suas análises e aplicações, com intuito de nortear os tratamentos. Testes como os disponibilizados pela Endo-Genetics abraçados pela The Quantic Hub auxiliam os médicos a prescreverem um tratamento mais adequado para cada paciente, otimizando tempo e custos despendidos com o estabelecimento dos protocolos de tratamento, via uma medicina personalizada e integrativa.

Porque devemos entender de genética e epigenética quando se fala de Saúde?

Um melhor estilo de vida, com hábitos saudáveis, sempre vai ser o ideal. Exercício físico, fugir de industrializados e exposição a agrotóxicos, químicos, toxinas e sol em excesso, uma alimentação saudável e adequada, além de boas noites de sono, traz solidez a tratamentos eficazes, podendo sim alterar nossa genética para melhor. Entender nossa genética e usar da capacidade epigenética regenerativa nos prolonga a vida e nos mantém distante de doenças que nos limitam e custam nosso precioso tempo e dinheiro. Para os profissionais da área da saúde, quando orientam os pacientes, esta compreensão toda deste mapa traz assertividade na estruturação e acompanhamento de protocolos. É a tecnologia e a modernidade da evolução da ciência a nosso favor.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

Sobre a autora:

Adriana Russowsky integrou o mercado canábico logo nos primeiros anos em que a medicina com Cannabis iniciou no país, pois devido seus estudos aprofundados e acadêmicos de fitoterapia, voltou seu olhar para as terapias com plantas e nutrientes, e utilizou como base sua experiência profissional e estudos em medicina integrativa. 

Hoje compõe e realiza estratégia os protocolos que desenvolveu e criou, dentro de empresas de comercialização de cannabis e de clínicas canábicas no país, e acredita que devem as instituições científicas e educacionais melhor informar os futuros médicos e outros profissionais desta necessidade de conhecimento, ampliando acredita o correto acesso a comunidade.

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