Uso medicinal de cannabis evita doses diárias de morfina em pacientes com dor crônica

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Flor da Papoula (ópio), de onde são extraídos os alcaloides de ação analgésica, narcótica e hipnótica como a morfina, codeína e heroína. (Foto: Pixabay/MabelAmber)

Por João R. Negromonte

Publicado na revista Pain Physician, uma nova pesquisa descobriu que pacientes com dor crônica, que receberam cannabis, reduziram a ingestão média diária de opióides em 67%, sendo que a morfina, foi o principal componente a ser evitado durante os testes.

Já em uma segunda bateria de estudos, os pesquisadores que acompanharam o processo de perto, puderam observar que o aumento dessa taxa de redução do uso do medicamento, no caso a morfina, foi maior ainda, passando de 67% para 73%.

Os autores do estudo, um grupo de pesquisadores do Instituto de Medicina da Dor na Pensilvânia, revelam que foram dadas duas opções para os pacientes em terapia crônica com opióides. A primeira seria tomar a cannabis com redução do tratamento já administrado e a segunda manter a dosagem atual contínua além dos derivados da planta.  

“Dessa forma, maximizando a eficácia da redução da ingestão de opióides, as preocupações relacionadas ao uso de vários medicamentos diminuem,” explica o estudo. 

Metodologia

Para realizar o estudo, foram selecionados 115 pacientes do Instituto Médico da Dor no condado de Allegheny, em Pittsburgh, EUA. A maioria dos pacientes tinham idades entre 50 e 70 anos e haviam consumido opióides por no mínimo 6 meses antes de começar o tratamento com cannabis.

Desses pacientes, 75 optaram por manter o tratamento com cannabis medicinal, relatando uma redução significativa das dores e do uso de opióides. Já um outro grupo, de 30 pacientes, revelou não considerar o tratamento eficaz ou tiveram efeitos colaterais indesejados. 

Diversos tipos de dor foram relatados pelos pacientes, incluindo algumas mais comuns como a síndrome pós-laminectomia, – quando mesmo com intervenção cirúrgica o paciente continua sentindo um grande desconforto na área afetada – artrite reumatóide, fraturas, dentre outras. 

Evitando o uso inalado ou vaporizado, as doses de canabinóides administradas, como o THC, foram aumentando gradativamente, utilizando-se apenas do óleo rico em componentes da planta no tratamento auxiliar. Dessa maneira, segundo o estudo, assegura-se que a quantidade administrada em cada paciente seja igual, garantindo a qualidade e a padronização dos testes. 

Essa nova pesquisa se soma a outras várias que vêm surgindo constantemente no meio científico a respeito da redução do uso de opióides com a utilização dos derivados da cannabis. 

Outros estudos 

A todo momento, surgem novas pesquisas que mostram a ligação entre a diminuição do uso de opióides com o início da terapia canábica. Uma delas, foi um estudo realizado pela Harvard Medical School em conjunto com a Universidade de Kentucky, que revelou que após as leis de legalização da cannabis serem efetivadas em alguns estados norte-americanos, as prescrições de opióides para adultos reduziram significamente para aqueles que possuem algum plano de saúde privado. 

Outro estudo que chamou a atenção mostra resultados semelhantes. Realizado pela Tilray Inc. (empresa canadense de produtos farmacêuticos e cannabis), a pesquisa indicou que o uso diário de opióides entre pacientes que fazem uso da cannabis caiu 78%. 

Ainda é muito cedo para afirmarmos que a cannabis pode ser a solução da crise dos opióides nos EUA, entretanto, com o surgimento de novos estudos, essa alternativa de tratamento se torna cada vez mais palpável, revelando a eficácia da terapia canabinoide em diversas patologias, inclusive aquelas ligadas à dependência medicamentosas.

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