Um novo ciclo de crescimento da cannabis pelo mundo pode estar em curso

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(Imagem: Arquivo Sechat)

Por Marcelo de Vita Grecco

Tecnicamente ainda estamos em pandemia, embora o uso de máscaras tenha sido flexibilizado em praticamente todas as atividades, sendo obrigatória apenas em instalações hospitalares e de saúde. No Cannabis Thinking deste ano, por exemplo, o uso da proteção facial foi facultativo, ao contrário da edição de 2021, quando todo mundo era obrigado a seguir os protocolos sanitários para a participação no evento.

Por que estou falando disso neste momento? É só para lembrar o quanto a pandemia também causou impacto enorme no mercado mundial de cannabis. Certamente, estaríamos em outro patamar se não tivéssemos passado por esse enorme flagelo que ceifou a vida de milhões de pessoas no mundo e, literalmente, fez parar a economia mundial por meses, sobretudo no auge da pandemia, em 2020 e meados de 2021.

Assim como para todos os ramos da economia, o impacto para a cannabis igualmente trouxe reflexos econômicos relevantes. No entanto, a crise sanitária também ajudou a revelar muitos dos benefícios do uso da cannabis, sobretudo, durante os períodos de quarentena, quando milhões de pessoas ficaram confinadas em casa.

Médicos e cientistas

Nos EUA e Canadá, por exemplo, a cannabis virou até serviço essencial. As pessoas puderam recorrer à planta para o alívio, principalmente, de crises de estresse, de ansiedade e de depressão relacionadas à covid.

O colapso do coronavírus pelo mundo ajudou ainda na aproximação de médicos e cientistas. Durante o período, foram iniciados diversos estudos do uso de terapias à base de cannabis no combate às consequências da covid na vida das pessoas. Temos conhecimento de que muitos desses estudos ainda estão ativos em pesquisas sendo conduzidas até hoje.

Certamente, isso vai ajudar a aumentar o número de médicos que começam a enxergar a cannabis medicinal com outros olhos, tornando-se, gradativamente, prescritores de terapias à base da planta. 

Do ponto de vista econômico, a despeito do estrago provocado pela crise sanitária no mercado de cannabis nos últimos dois anos, tudo indica que a recuperação promete ser mais rápida do que se imaginava. A estimativa é de que o mercado global de cannabis supere o patamar de US$ 134 bilhões em 2030, com crescimento médio superior a 25% ao longo desse período.

Novo ciclo

Essa expectativa alvissareira tem muito a ver com a continuidade e crescimento da demanda por produtos derivados de cannabis, na medida em que o pior da pandemia vai ficando para trás. Com uma recuperação ainda tímida, mas consistente, da economia, a expectativa é de um novo ciclo de crescimento do mercado.

A popularização cada vez maior do uso medicinal, bem como o aumento da legalização, em diferentes países, de produtos feitos com cannabis contribuem para um cenário pós-pandêmico bastante promissor. Gradativamente, como mencionamos, a comunidade médica mundial vem prescrevendo cada vez mais terapias tendo a planta como matéria-prima para uma infinidade de patologias. E a percepção de eficácia dos tratamentos aumenta a cada ano, assim como a visibilidade na imprensa de casos de sucesso.

O panorama mundial é de legalização do uso, como o que vem acontecendo nos Estados Unidos e Canadá, na América do Norte, e no Uruguai, na América Latina. Em nossa região, também assistimos, com muita satisfação, ao crescimento do mercado do cânhamo no Paraguai, país que já desponta como o maior produtor e exportador da região.

Trajetória ascendente

Esse nosso vizinho já é considerado um exemplo para todos os países latino-americanos. Principalmente o Brasil, onde ainda não se aproveita nada  o potencial social e econômico nem do cânhamo, nem da cannabis e suas milhares de aplicações. Exceção no Brasil, vale ressaltar, apenas para o emprego medicinal, muitas vezes, à custa de judicialização para obtenção de salvos-condutos para a autoprodução, e o uso de medicamentos liberados pela Anvisa, que beneficiam somente uma ínfima parcela da população. 

Com o retorno gradativo das atividades, represadas durante 24 longos meses, o mercado da cannabis no mundo está em trajetória ascendente, na minha percepção. Daqui para frente, eu antevejo uma nova onda de avanços no uso da planta nos mercados já existentes e o rompimento de barreiras restritivas em outros países.

Eventos, como o recente Cannabis Thinking 2022, também retomam o ritmo e contribuem para a disseminação dos fundamentos desse mercado e do quanto avança o emprego da planta ao redor do mundo, tanto na vertente medicinal quanto na industrial.

Eventos pelo mundo

Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Colômbia e Inglaterra, entre outras nações, sediaram neste ano dezenas de conferências, atraindo sempre milhares de participantes de todos os cantos do planeta para discutir os rumos e as oportunidades desse mercado. Nós mesmos, da The Green Hub, embarcaremos em novembro para participar do maior evento da indústria mundial da Cannabis, o MjBizCon, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Por lá, nós, como os demais participantes, analisaremos oportunidades de negócios, de relacionamentos; faremos visitas técnicas, além de obter uma abrangente visão das novidades e tendências de mercado. Por tudo isso, estou bastante otimista com essa pujança que observo no mercado mundial da cannabis. Com certeza, traremos de lá muitas novidades que compartilharemos oportunamente com todos vocês que me acompanham por aqui.

No Brasil, a despeito de o trabalho realizado para desenvolvimento do ecossistema da cannabis, ainda estamos avançando menos do que muitos outros países no tocante à criação de um robusto marco regulatório que garanta tranquilidade para quem já investe ou pretende ingressar nesse mercado.

Celebrações

Mesmo assim, gosto de celebrar cada conquista, como já mencionei em outras oportunidades. Independentemente da dimensão que gostaríamos, ressalto que todo passo adiante importa. Ao olharmos para trás, vemos que podemos, sim, comemorar tudo o que já conquistamos em termos de colocar o tema na pauta para discussão em alto nível e em várias esferas.

Quero crer que, a partir do ano que vem, certamente com o país vivenciando um cenário menos conturbado e menos ideologizado, nossos pleitos alcancem novos horizontes. Quem sabe, tenhamos mais conquistas a celebrar do que nos últimos anos.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

Sobre o autor: Marcelo Grecco é cofundador e CMO da The Green Hub, consultoria e aceleradora de startups com foco exclusivo no mercado legal da cannabis.

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