Úlcera aftosa bucal x cannabis medicinal

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(Imagem: Arquivo/Sechat)

Por Cynthia de Carlo

Hoje eu quero bater um papo com você leitor, sobre uma patologia, que se você não sofre desse mal, já sofreu ou ainda irá sofrer certamente. Me refiro a afta, ou úlcera aftosa (nome científico). 

Trata-se de  uma lesão ulcerada benigna encontrada na mucosa não-queratinizada, como língua, assoalho de boca, mucosa labial, jugal, palato mole e orofaringe que apresenta quatro estágios entre o seu surgimento e seu desaparecimento, sendo descrito abaixo para melhor entendimento.

> Primeiro

Nas primeiras 24 horas aparece uma sintomatologia dolorosa onde o paciente sente sua mucosa áspera, embora clinicamente não se verificam alterações.

> Segundo

Há uma Pré-ulceração com eritema (que são manchas vermelhas na mucosa), uma leve elevação, endurecimento da área com uma membrana superficial recobrindo e por consequência há intensificação do quadro doloroso.

> Terceiro

Haverá a presença de uma úlcera recoberta por uma  membrana esbranquiçada e necrótica entre um a três dias. Este é considerado o pico do desenvolvimento da úlcera aftosa e a partir dele a sintomatologia dolorosa   apresentará redução permanecendo somente o desconforto.

> Quarto

Nesta última etapa há uma reparação espontânea sendo que todo o processo leva o  período de 21 dias desde o seu aparecimento até a cicatrização.

Ótimo, mas qual a razão desses aparecimentos ulcerosos? 

A úlcera aftosa é uma doença intrigante, porque, além de sua etiologia ser complexa com inúmeras hipóteses existentes -como estresse emocional, hiperacidez bucal, complicação comum da radioterapia e/ou quimioterapia para pacientes com câncer, trauma da mucosa, estimulação química, doenças autoimunes e condições inflamatórias – a causa básica do aparecimento da ulceração é devido a uma anomalia da imunomodulação.

Como consequência, é frequentemente associada com dor intensa, aumento do risco de infecção, comprometimento oral e funções faríngeas, e até comprometimento da qualidade de vida.

A terapêutica é sempre difícil, mesmo tendo uma variedade de tratamentos que vêm sendo aplicados para alívio da dor e redução  da gravidade da doença, como, cuidados com a saúde bucal, aplicação de agentes anti-inflamatórios e anestésicos locais para descontaminação, como os  enxaguantes bucais, uso de vitamina B12, talidomida,  dentre outras terapias. 

Mesmo com essa variedade de tratamento, os resultados ainda deixam a desejar, para nós profissionais e principalmente para os pacientes que são acometidos pelas “aftas”.

Graças aos avanços em pesquisas e estudos realizados com o canabidiol, um dos fitocanabinóides majoritários da planta cannabis, nós profissionais da saúde temos hoje ao nosso alcance uma excelente alternativa terapêutica, comprovadamente eficaz ( Artigo : “cbd promotes oral ulcer healing via inhibiting cmpk2-mediated inflammasome”), no alívio das dores e no fechamento das lesões em curto prazo de tempo.

O estudo elucida a utilização tópica de um spray oral de CBD nas úlceras orais formadas devido a alimentação ácida, ou a trauma na língua causado por peças protéticas ou elementos dentários com áreas pontiagudas e/ou bordas cortantes que, como resultado, apresentaram inibição da inflamação com alívio considerável na sintomatologia dolorosa. Isso devido aos efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores dos canabinoides. 

A forma de obtenção desses sprays ou enxaguantes bucais de CBD ainda seguem o mesmo processo de importação dos óleos e controle da Anvisa. Apesar da burocracia  existente, o resultado e a felicidade dos pacientes  tratados das suas úlceras aftosas suplantam esse tópico.

Só torcemos para que a indústria responsável por esses produtos, nos apresentem cada vez mais opções e facilitem o acesso.

É a cannabis medicinal se fazendo presente cada vez mais nas patologias odontológicas!

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

Sobre a autora:

Cynthia De Carlo é cirurgiã-dentista, formada há 31 anos pela UNITAU, pós-graduada em Periodontia, Implante e Pediatria. É dentista do CECMedic (Centro de Excelência Canabinoide) e membro da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis).

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