Terapia canabinoide para crianças

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(Imagem: Reprodução/Instituto da Infância - IFAN)

Por João R. Negromonte

Hoje, dia 24 de agosto, é celebrado o Dia Nacional da Infância. A data marca um importante avanço da Lei nº 13.257/2016, que estabelece os princípios e diretrizes para a formulação e implementação de políticas públicas voltadas às crianças e tem como objetivo propor reflexões e assegurar os direitos fundamentais de nossos pequenos.

Tal reconhecimento representa uma janela única de oportunidade para o desenvolvimento neurológico, cognitivo, psicomotor e emocional das crianças. Por isso, em homenagem à data, o Portal Sechat traz  aqui a história de vida da menina Isadora B. T. (13), que convive com os diagnósticos de Síndrome de Down, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Desafiador de Oposição (TOD) e Autismo, no qual faz uso de cannabis para controle dessas patologias. Acompanhe essa trajetória.

O início

Isadora é filha da secretária executiva e administradora de empresas Patrícia Boscatto (46), e do tecnólogo em logística Adilson Trevisan (48), residentes na cidade de São Caetano do Sul, região do ABC paulista (SP).

Família Boscatto, a mãe Patrícia, o pai Adilson e a filha Isadora
(Imagem: arquivo pessoal)

Patrícia conta que Isadora apresentou os primeiros sintomas de TDAH aos três anos e TOD aos seis. Utilizava diversos medicamentos psicotrópicos, com ação no sistema nervoso central (SNC) produzindo alterações de comportamento, humor e cognição.

Desde muito cedo, Isadora foi uma criança agitada e impulsiva. “Tinha dificuldades para dormir, se alimentar e ficava agressiva;  quando começou a andar, aos dois anos, a colocamos em uma escola regular de educação infantil,” relata Patrícia.

Mesmo com algumas questões educacionais, a trajetória escolar da menina, na medida do possível, transcorria bem. Porém, em 2018, problemas com uma professora afetaram diretamente o desenvolvimento de Isadora que até então, ainda não fazia uso dos derivados da cannabis.   

À partir dali, após um episódio de  descontrole emocional nunca presenciado anteriormente, uma amiga da família, que trabalhava na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de São Caetano, indicou o médico neurocirurgião Dr. Pedro Pierro, um dos pioneiros na prescrição de medicamentos à base de cannabis no Brasil. 

Patrícia diz que no começo, quando souberam desta alternativa de tratamento, ficou preocupada, pois se tratava de algo até então desconhecido para a família. Após pesquisar e cobrar explicações dos órgãos responsáveis sobre a atitude da professora com Isadora, que comprometeu diretamente no desenvolvimento da criança, em 2019, buscou ajuda com o médico especializado. 

Um divisor de águas

“A consulta com o Dr. Pedro foi um divisor de águas em nossas vidas! Depois de um longo ano de lutas e batalhas, ali naquele encontro vi que talvez existisse uma solução para nossos problemas”, destaca Patrícia. 

A mãe revela ainda que só ficou sabendo da Síndrome de Down da filha no parto e, para agravar ainda mais a situação, a menina também havia nascido com fissura labiopalatina. No entanto, o sofrimento vivenciado ao longo de todo esse tempo, trouxe à luz essa alternativa a terapia canabinoide.

“Ao iniciar o tratamento, o Dr. Pedro me disse que ali não era o último recurso, mas sim, uma nova jornada que iríamos enfrentar”, conta a mãe.

Patrícia começou a medicar Isadora com o óleo da Abrace Esperança e, ao longo de quatro meses, já notava uma melhora nas condições da garotinha, que antes do tratamento tomava cerca de seis remédios diferentes com fortes efeitos colaterais sem que nenhum deles apresentasse o resultado esperado. 

“Houve uma resistência por parte da Apae de São Caetano no começo. Cheguei a ouvir nos corredores da instituição que eu estava dando maconha para minha filha. Porém, os resultados eram tão aparentes, que defendi e defendo a causa até hoje”, conta a mãe. 

Com a evolução de Isadora que, apesar da pandemia de Covid-19 se manteve estável e medicada em casa, Patrícia colocou a Apae em contato com Dr. Pedro Pierro para que o especialista explicasse como a cannabis poderia ser benéfica para outras famílias.

Patrícia hoje trabalha com o acolhimento de famílias e pacientes que utilizam o mesmo medicamento que Isadora e confecciona materiais adaptados para o aprendizado de crianças com déficit de atenção.   

Integra ainda o  IASM – Instituto Amor sem Medidas, formado por mães de crianças com deficiência. “Damos apoio às famílias carentes e lutamos pelos direitos de nossos filhos no município de São Caetano do Sul”, conta ela. Durante 6 anos, foi também Diretora Social da Apae São Caetano e, com apoio de políticos, ajudou a criar  um projeto que atendeu 12 famílias durante um ano com medicamentos da Carmen’s Medicinals fornecidos gratuitamente.

Hoje, segundo Patrícia, Isadora é uma criança feliz e não precisa mais tomar várias medicações que traziam efeitos adversos indesejados.

O recomeço

“Ao longo destes três anos de tratamento com os derivados da cannabis, posso dizer que minha filha leva uma vida normal. Ela brinca, se alimenta bem, pratica exercícios físicos, interage na escola com outros colegas, diz eu te amo a todo momento, enfim, é uma nova Isadora”, conta Patrícia. 

“Ao longo destes três anos de tratamento com os derivados da cannabis, posso dizer que minha filha leva uma vida normal. Ela brinca, se alimenta bem, pratica exercícios físicos, interage na escola com outros colegas, diz eu te amo a todo momento, enfim, é uma nova Isadora”, conta Patrícia. 

Hoje no Brasil, o uso da cannabis medicinal ainda não é regulamentado pelo legislativo, contudo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)  e o poder judiciário, já permite o uso destes produtos por aqueles que necessitam, inclusive crianças e adolescentes. Desse modo, fica aqui o apelo de uma mãe que busca o direito à saúde não só para sua filha, mas para os que precisam e querem utilizar a cannabis como alternativa de tratamento.

“Se temos tantos casos de sucesso e diversos estudos que comprovam os benefícios da cannabis, por que não regulamentar e tornar acessível para diversas famílias e pacientes que dependem do tratamento?, questiona Patrícia, que conclui: “passamos por momentos sombrios para chegar aqui, mas enfrentaria tudo de novo só para explicar à população como a cannabis pode mudar nossas vidas”.

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