“Temos que combater o preconceito com informação” destaca mãe de paciente

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Rafaela França, criadora do NEEM no complexo do Alemão, Rio de Janeiro (Iamgem: Arquivo pessoal)

Por João R. Negromonte

No Brasil, o número de pacientes, que utilizam os derivados da cannabis para o tratamento de diferentes doenças, cresce a cada dia. Segundo pesquisas da empresa de inteligência de dados do mercado da planta, Kaya Mind, somente no estado de São Paulo foram mais de 40 mil autorizações de importação deste tipo de produto, mantendo o estado como o primeiro da lista no país neste quesito.  

Contudo, o que ainda se vê é a existência de muito preconceito e desinformação em torno do tema. Thaiana Silva da Costa, moradora do Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, e mãe da Thannyfa de 5 anos, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conta que sofreu preconceito da própria família. “Me criticavam e diziam que eu estava dando drogas a minha filha, que ela poderia ficar inclusive viciada”. 

Thaiana explica que a Thanyffa nasceu prematura e ao completar três anos de idade notou que a menina apresentava déficits comportamentais e de desenvolvimento. Ao passar por alguns especialistas, a mãe teve o diagnóstico de autismo da filha confirmado.

Thaiana conta que Thanyffa nasceu prematura e ao completar três anos de idade notou que a menina apresentava déficits comportamentais e de desenvolvimento. Ao passar por alguns especialistas, o diagnóstico de autismo da filha foi confirmado.

“Comecei a ver algo diferente nela. Minha filha não ‘desfraldava’, apresentava dificuldades na fala, não brincava de forma funcional e tinha uma má interação social com outras crianças”, explica.

Quem também falou com a Sechat sobre atos preconceituosos contra sua família, foi Viviane Mendes da Silva, mãe dos gêmeos Heitor e Rafael, autistas que fazem uso do canabidiol (CBD) desde março de 2022. 

“No começo escutava muita piadinha de pessoas falando que eu estava dando maconha pros meus filhos. Eu tentava levar na brincadeira,  pois sempre explicava que não era essa a situação”, conta Viviane.

“As pessoas de fora não imaginam o quanto foi e é importante o canabidiol na vida da minha família. Piada sempre vai ter uma ou outra, mas estou aqui pra dar a informação certa pra quem não conhece”, ressalta a mãe. 

As mães contam que antes do tratamento com os derivados da cannabis, seus filhos não tinham nenhuma qualidade de vida, mas hoje, as crianças apresentaram um desenvolvimento neurológico e físico surpreendente.

Núcleo de Estimulação Estrela de Maria (NEEM)

Os medicamentos à base de cannabis vieram por meio do Núcleo de Estimulação Estrela de Maria (NEEM), que com a parceria do grupo EDUCAP e da farmacêutica USA Hemp, oferecem apoio, informação e buscam parceiros para manter o tratamento de diversas famílias como as da Thaiana e da Viviane. 

A ONG, comandada por Rafaela França, a “Rafa”, mãe da menina Maria “Estrela”, como são conhecidas na comunidade, explicou ao Sechat, que os ataques, tanto às mães de pacientes quanto a própria organização, acontecem diariamente por meio das redes sociais.

“Já chamaram minha filha de ‘maconheirinha’ por eu dar produtos à base de cannabis para ela, mas essas opiniões contrárias serão sempre rebatidas com informações”, lembra Rafaela. 

Veja o vídeo que mostra a evolução da menina Maria Estrela depois do uso do canabidiol:


A luta continua!

“Eu como mãe de autistas sou grata por existir a cannabis”, destaca Viviane que conta que os filhos gêmeos se adequaram muito bem ao tratamento. “Ter filho autista é muito difícil e quando é gemelar é mais difícil ainda. O canabidiol trouxe qualidade de vida pra minha família e eu fico feliz com a conquista de todos que começam a usar este medicamento”.

Já Thaiana explica que o preconceito e a falta de informação baterão de frente com ela, pois só a mesma e sua filha sabem como o canabidiol mudou suas vidas.

“Sempre quando falo do canabidiol vejo alguns olhares estranhos, algumas pessoas contam piadas falando que minha filha vai se tornar uma viciada e outras pensam que compro maconha na favela pra dar pra minha filha. Às vezes é cansativo ter que explicar certas coisas, mas foi o que nos salvou e, por isso, o uso medicinal da cannabis será uma bandeira que levantarei o resto de minha vida”, conclui. 

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