Qualidade de cultivo e dos produtos é tema no cannabis thinking

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(Imagem: Carolina Collet/Sechat)

Por redação Sechat

O fechamento do primeiro dia de evento contou com palestras sobre insumo e qualidade dos produtos, quando as palavras-chave foram tecnologia e boas práticas. Também os participantes deram uma nova visão da política das drogas e necessidade de se falar a língua dos marginalizados. Abaixo, alguns destaques desse encontro.

INSUMOS E QUALIDADE DOS PRODUTOS – Amanda Baumgarten (moderadora), Laura Angel Macrina (Enabling sustainable business development and innovation in the medical cannabis industry at Cleaver Leaves), Sergio Rocha (fundador e diretor do ADWA cannabis) e Ramon Spinasse (Chief Executive Officer at Actiz)

Informatizar para garantir na produção a qualidade do medicamento

“Boas práticas de laboratório são importantes. Quando olhamos para a cannabis construímos uma solução para monitorar e colaborar com a indústria farmacêutica, conversamos recentemente com uma delas para oferecer um software de gerenciamento de qualidade. O laboratório precisa garantir a rastreabilidade da impressão e nós registramos essa rastreabilidade. Nascemos para garantir a qualidade de todo o processo da indústria. Para isso, é fundamental um sistema informatizado. ” – Ramon Spinasse

Sem os sistemas é impossível ter um produto de qualidade

“Os sistemas de qualidade precisam estar dentro da indústria. Isso implica em ter uma equipe voltada à tecnologia. Sem os sistemas, sem as ferramentas é impossível trazer um produto de qualidade. São múltiplas as formas de se garantir isso e a indústria e os laboratórios devem estar atentos. ” – Laura Angel Macrina

Como garantir a qualidade no cultivo?

“A qualidade do produto final depende do que se faz no campo, no plantio. Isso pode elevar ou baixar os custos. O ideal é que se tenha o produto saindo do campo mais próximo do que a indústria precisa e isso implica no preço. Precisamos de um material genético adaptado ao clima diverso do Brasil e chegar a isso ajuda na diminuição dos gastos. Pensar no cuidado com o defensivo usado no combate às pragas, temos um software que rastreia o cultivo para evitar essas contaminações. Então, o manejo, o tipo de defensivo e o fertilizante empregado fazem com que a planta chegue da forma mais próxima das necessidades da indústria.  Por exemplo, se conseguirmos plantar a cannabis com menos THC ajudamos a indústria a diminuir os processos de separação do canabinoide do CBD. ” – Sergio Rocha

O entendimento das leis sanitárias de cada país é fundamental para melhorar todos os processos industriais

“Os marcos regulatórios são diferentes de um lugar para outro. A comunicação com as autoridades de cada país é essencial para sabermos o que se pode e o que não se pode fazer para entregarmos produtos de qualidade, consistentes e seguros. Esse tipo de resultado exige muito esforço de comunicação, de entendimento das legislações, das necessidades de cada nação quanto às leis sanitárias. Isso é necessário para melhorar todos os processos industriais desde o plantio até a entrega final do produto ao paciente. São paradigmas farmacêuticos de cada país que devemos atender. É um mercado novo com muitas exigências e que se divergem de país para país. A colaboração entre todo o mercado é importante para chegarmos à qualidade suprema.” – Laura Angel Macrina

O estudo de clima é essencial para evitar gastos desnecessários pela indústria

“Às fibras são descartadas na indústria médica e existe um resíduo sendo gerado, se pudermos dar um destino a esse material já é um ganho ambiental e de sustentabilidade. Há muitas possibilidades de trabalhar a planta. Mas para cada finalidade existem plantas e regiões a serem cultivadas. Esse estudo é muito importante. Pois tem semente que serve para a área farmacêutica, para a indústria têxtil e para a alimentícia. A pesquisa de clima, de manejo é essencial para evitar gastos desnecessários pela indústria que faz o produto final.” Sergio Rocha

Empresas inescrupulosas estão se aproveitando do mercado, há quem cobre U$ 5 mil para fazer um orçamento

“Estamos iniciando um projeto na Costa Rica e quando esse laboratório nos procurou perguntou quanto cobraríamos para fazer uma cotação. Então descobrimos que existem empresas se aproveitando desse mercado, cobrando cinco mil dólares para fazer uma proposta. Precisamos ter cuidado com empresas sem qualidade que visam apenas o dinheiro e se aproveitam da inexperiência dos outros para lucrar. Emitimos laudos de qualidade, para isso cobramos, mas não para fazer um orçamento. As práticas precisam ser corretas. ” – Ramon Spinasse

NOVA VISÃO DA POLÍTICA DAS DROGAS – Felipe Paiva (Money Transfer Expert), Sheila Carvalho (advogada Internacional de direitos humanos), Emílio Figueiredo (advogado e defensor das causas sociais) e Ad Júnior (apresentador de TV e ativista social)

O poder público não permitiria uma clínica de medicina canabinoide na favela

“Acho muito difícil uma clínica de medicina canabinoide estar dentro de uma favela. Primeiro que o poder público não deixaria, segundo, que leis segregadoras também não. É diferente ter uma plantação de cannabis em Pinheiros (SP) e na comunidade periférica. ” – Sheila Carvalho

Hora de falar a língua dos marginalizados

“Precisamos falar a língua das pessoas marginalizadas antes de implementar algo no seu meio social. Temos que parar de criminalizá-las e não só sua droga, mas música, crenças e tudo que envolve nossas ideologias. ” Ad Júnior

Direito a voz e de ser ouvido

“Observar a nossa realidade a partir da nossa ótica é essencial. Precisamos ter voz, não precisamos de branco nos ensinando, precisamos ser ouvidos, só isso. ” – Ad Júnior

Luta solitária

“Se uma pessoa branca que tem dinheiro não nos der uma oportunidade como essa de falar neste evento, teremos que lutar sozinhos, mais uma vez.” Felipe Paiva

Aplicação da lei antidrogas é um desastre, uma tragédia de encarceramento

“A Lei 11.343/2006 foi feita com a melhor das intenções numa perspectiva de tentar acabar com a pena de prisão para o usuário, mas sua aplicação é um desastre. É uma tragédia de encarceramento, tragédia de justificativa para as chacinas como as que acontecem cotidianamente no Rio de Janeiro. Tudo se faz dizendo que estão cumprindo a lei antidrogas. Não é uma lei com aplicação democrática. ” – Emílio Figueiredo

Sobre unir o pessoal do uso medicinal e os ativistas na questão do autocultivo

Desde que tive contato com as famílias das crianças que fazem o uso da cannabis para controlar crise convulsiva, eu convidei essas famílias para estarem junto aos ativistas e cultivadores. Participei de todo esse processo de construção de ponte para a troca de saberes. Para que aprendessem a preparar o próprio remédio, mas isso é de um lado. Do lado das empresas será que é interessante que essas famílias dominem o conhecimento? A gente precisa de uma nova visão empresarial. – Emílio Figueiredo

Emílio Figueiredo à direita (Imagem: Carolina Collet/Sechat)

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