Quais Flores esperar na Colheita Brasileira: Overview da plantação de 2022

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Por Adriana Russowsky

Em janeiro de 2022, a ANVISA já começou a estudar a questão, através da AIR, Análise de Impacto Regulatório. Com autonomia decisória, em 2022 passou por cima da retrógrada opinião do ancião Conselho Federal de Medicina. Precisa atender com sua decisão não somente os pacientes necessitados, que apesar dos impeditivos hoje encontram-se mais bem atendidos, mas também o famigerado empresariado.

Baseados na onda informativa tecnológica, as iniciativas atuais procuram atender a sede por produtos e serviços, de acordo com tendências e desejos, pesquisa e não somente questões de saúde.

O suporte é dado pelo enorme mercado e a excelente academia brasileira médica e de pesquisa. A ansiedade é nítida, pois hoje a Cannabis e derivados atingem o conhecimento de diversas classes sociais, com extremo potencial econômico.

As classes A experimentam um pouco de tudo, enquanto a B potencializa a informação, procura e quantidade, e a C e D fortalecem a cultura e judicializações. A música, a arte, a repatriação história e as iniciativas ideológicas e não governamentais criaram um potencial que transpira vendas por si só.

Todos devemos concordar que é superchato a falta de ponderação da lei, onde o consumidor está preso a regras que o fazem preencher cadastros, pegar papelada, pagar caro, e esperar um bom tempo para poder ter em mãos aquilo que precisa ou quer. Como a portaria 344 inclui o Canabidiol como controlado, fica difícil estabelecer uma noção do âmbito da proibição. Porque esta molécula, que pode ser sintetizada, tem possível obtenção através de outras matérias primas que não a Cannabis, como leveduras, lúpulo e casca de laranja.

Em outros países, estes insumos recheiam alimentos, suplementos e outros, com fácil trânsito, devido sua origem livre do condenado THC. Bom seria se pudéssemos ter um mercado enquadrado como nutracêuticos com esta origem para os produtos. Inspira progresso, exala dinheiro. Mas daí já entramos em questões complexas atreladas a Receita Federal, INCM, taxas, enfim, diversos órgãos envolvidos.

E nem estamos imaginando interesses econômicos, possibilidades de suborno e atividade de lobistas.

Enquanto isto, em meio ao talvez cauteloso e pensante sistema, existe permissividade para os caminhos que se apresentaram e solidificaram em 2022. O jeitinho brasileiro e o aquecimento do jurídico criaram inúmeros processos de salvos condutos para realizar o cultivo em casa, associações e permissões na manipulação de fármacos magistral. Não irão deixar de existir, e se moldarão (com bastante dinheiro de investidores envolvido) a essa nova realidade do território que não pode deixar de surfar na onda global. Como sempre o empresariado brasileiro, criativo e resiliente, incubado em meio a inúmeras adversidades administrativas, lança suas ideias. É a população que faz o tema ser concreto, afinal. Organizações e laboratórios especializados, disponibilizam terpenos e outros canabinoides, como inovação em produtos alternativos e permitidos por lei, preparando-se para quando os canabinoides importantes puderem entrar amplamente em cena. O sistema endocanabinoide, a natureza em si, e o verdadeiro conhecimento independem de tanta complexidade dos poderes da nação, afinal.

Enquanto alguns países já pensam em incentivos estatais relativos à temática, no Brasil, a alta do dólar, a falta de oportunidade para produção de insumos, e as taxas exorbitantes, são fortes adversárias para o ramo. Realmente, território de guerreiros. Hoje ainda tenta-se construir algo embasado em créditos de carbono, economia hídrica e elétrica, repatriação histórica e cultural, abrindo portas para uma visão e ações ESG: ambiente, social e de governança. Ponto cada vez mais importante para conquista de mercado e investidores. Cannabis é planta, é verde, e isto veio sendo discutido nos eventos de 2022 no país, especialmente o Cannabis Thinking, organizado pela The Green Hub em prédio coworking que segue os objetivos do desenvolvimento sustentável estabelecido pela ONU, na cidade de São Paulo.

Plantações – Um potencial agricultor enorme. Região adequada para cultivo outdoior próximo a linha dos trópicos. Potencial econômico interno de investimento. Mas nenhuma permissão, teoricamente. A realidade é que as plantações que possuímos hoje são as de cultivo associativo. Podemos comprar os extratos em larga escala, mas não a planta em si para beneficiamento. Entre votações favoráveis e outras em espera, os projetos de lei que autorizam cultivo medicinal estão sendo tratados por Estados, já que inexiste uma Lei Federal até agora. O que temos neste âmbito é o Projeto de Lei 399/2015, repleto de substitutivos aprovados, mas até agora parado na câmara.

Medicinal – O cidadão ainda deve ser o principal beneficiado, e é. Entre a opinião retrógrada do CFM, o trabalho pioneiro de hospitais, estudantes, professores e universidades vem demonstrando determinada liberdade e excelência. É ali que está embasado toda a revolução. O acesso está cada vez mais amplo e possível, porém depende do aval de médicos e muita papelada. O Sistema único de saúde, nossa melhor utopia, já está há tempos liberando a disponibilização.

Cosméticos – O mercado fashion e da moda é responsável pela informação, e não somente a dermatologia clínica. De fato, nossa pele absorve muito bem canabinoides, especialmente o Canabidiol, seja pela sua natureza gordurosa semelhante à do tecido cutâneo, seja pelos receptores CB2 que ali estão expressos.A onda de produtos naturais vem ainda com maior força a partir desta porta aberta. O óleo da semente do cânhamo, que nem tem THC e nem outros canabinoides, poderia já estar circulando por aí nos cosméticos, ou até mesmo servir como óleo culinário, devido sua rica natureza hidratante. Além dos benefícios dos canabinoides, podemos experimentar a possibilidade de atingir outros mecanismos de ação que não os através do sistema endocanabinoide: ação terapêutica dos terpenos, benefícios antioxidantes do extrato da pele, ação antiinflamatória das canflavinas, etc.

Alimentação – A utilização de terpenos sintéticos e naturais para desenvolver este apelo de marketing e preparar a mesa para quando a ceia for servida é a atual possibilidade, e fica na expectativa quase que irreal para maiores permissividades. Cervejas, chocolates, entre outros, já se encontram com esta publicidade por aí. Comestíveis são proibidos, mas “balas de goma” com os ativos vem sendo importados por algumas empresas facilitadoras dos trâmites.

Têxtil – O mercado têxtil já está liberado, e agora deve encontrar maior receptividade entre os consumidores, seja como peça desejo (já presente em grandes marcas como a Reserva e Osklen), seja como alternativa tecido natural confortável e durável. Pouco a pouco, mais tecnologia e preços acessíveis se instituem. A Nike lançou neste ano um modelo com cânhamo, chamando atenção para o setor. Existe até uma marca de calcinhas absorventes de menstruação utilizando o tecido, dito antimicrobiano, por aí.

Tabacaria – Já o mercado de tabacaria, que sempre existiu, apresenta cada vez mais produtos que caem no desejo das pessoas. Mais do que isto, produtos que tem uso quase que contínuo, baixo custo, e são incentivados por hábitos criados pela cultura e contracultura, estimulantes da diversidade. Lembrando que fumígenos são proibidos, e a planta também. Mas hoje podemos importar flores legalmente, se assim for concedido pelo seu médico exclusivo.

Sustentabilidade – Não adianta nada saber que a Cannabis pode ser plantada a beira de um rio e recuperá-la no momento que estamos. Porém, nunca tanto foi falado sobre as iniciativas ESG. Hoje, são a base para a identidade empresarial e saúde financeira, bem como validação pelo público e investidores.

Psicodélicos e Outras Iniciativas – Ainda não podemos deixar de comentar sobre o mercado dos psicodélicos, hoje mais do que nunca popularizado pelo documentário do Netflix, baseado no livro de Michael Polan, Como Mudar sua Mente. Clínicas, terapeutas, insumos que são permitidos, já se diversificam com solidez para estruturar-se para o próximo ano. Um verdadeiro estouro, validado com o interesse sobre o tema na pandemia. As portas cada vez mais estarão abertas à medicinas ancestrais e ibogaína.

Os Hermanos

Nos encontramos em meio a regulamentação da planta em diversos países da América do Sul. A situação brasileira de certa maneira lembra a história do charque e a revolução farroupilha, aquela, separatista sulista. Não valia a pena comprar o tão desejado produto no país devido as taxas, e movimentava a cena dos países de divisa, no caso Argentina e Uruguai.

Enquanto o pioneiro na legalização Uruguai mostra-se um pouco protecionista para exportar, assim vamos dizer, o Paraguai rouba a cena, com união cooperativista, colaborações, taxas atraentes e modernidade. A Colômbia, em 2022 preparou-se a exportar, e quer em 2023 permitir ainda mais acesso público, propondo que os medicamentos a base da planta possam receber incentivo público. Já a Argentina estimula pesquisa científica, tem empresas que podem produzir e processar a planta, dá acesso medicinal, e tem investimentos estatais. O Chile permite o uso medicinal, e o cidadão pode possuir 5 plantas para consumo dentro de casa. O Uruguai e Equador permitem o uso em alimentos, da planta sem psicoatividade. O Equador planta, mas não permite cultivo nem por pequenos agricultores e nem próximo a costas e fronteiras. Bom, já a Bolívia, Guianas e Venezuela não é permitido nada, mas a gente já sabe que deve ser repleto de enormes plantações.

Sobre a autora:

Adriana Russowsky integrou o mercado canábico logo nos primeiros anos em que a medicina com Cannabis iniciou no país, pois devido seus estudos aprofundados e acadêmicos de fitoterapia, voltou seu olhar para as terapias com plantas e nutrientes, e utilizou como base sua experiência profissional e estudos em medicina integrativa. 

Hoje compõe e realiza estratégia os protocolos que desenvolveu e criou, dentro de empresas de comercialização de cannabis e de clínicas canábicas no país, e acredita que devem as instituições científicas e educacionais melhor informar os futuros médicos e outros profissionais desta necessidade de conhecimento, ampliando acredita o correto acesso a comunidade.

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

ASSINE NOSSA NEWSLETTER PARA RECEBER AS NOVIDADES

ASSINE NOSSA NEWSLETTER
pt_BRPortuguese
pt_BRPortuguese