O plantio caseiro e seu impacto na indústria

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(Imagem: Arquivo/Sechat)

Por Cintia Vernalha

Nessa semana, mais uma associação conseguiu ganhar na justiça o direito de plantar, produzir e fornecer os produtos feitos com cannabis para os seus associados. À primeira vista, pode parecer que a liberação do cultivo caseiro individual ou por meio de entidades pode gerar concorrência à indústria, mas isso não é verdade.

Estamos construindo um novo mercado no Brasil e, por isso, ainda estamos muito distantes de um cenário de competição entre os participantes. Todos os players precisam caminhar juntos, fomentando informações de qualidade e trazendo mais médicos e pacientes para a discussão. Quanto mais gente tiver acesso e garantir o direito de usar a cannabis e os seus produtos, maiores serão as chances de esse mercado ter sucesso. 

Nem todas as pessoas possuem habilidades ou querem plantar. Da mesma forma, nem todas as pessoas querem ou têm o dinheiro para comprar os produtos finalizados. A demanda existe para os dois lados e o mercado só estará completo quando as necessidades dos  pacientes forem atendidas. 

E a indústria conhece bem esse processo. Nos últimos anos, estamos assistindo ao surgimento de uma variedade de produtos que visam a satisfazer não apenas os diferentes perfis de consumidores e seus diferentes objetivos, mas também as diferentes ocasiões de consumo. Porém, a indústria ainda está focada em inovar no formato dos produtos e nas suas composições e pouco tem se falado em atingir consumidores que desejam cultivar em casa.

Ainda falta no Brasil regulamentação para que o cultivo caseiro seja amplamente divulgado. Mas já temos inúmeros pacientes e associações com processos judiciais, o que mostra a existência de demanda por essa opção.

Fazer parcerias com tais grupos, ensinando técnicas de extração e cultivo, fornecendo melhores equipamentos ou colaborando com produtos e insumos são apenas algumas das formas que as empresas podem contribuir para melhorar e desenvolver todo o ecossistema. 

Não é de hoje que as indústrias de todos os setores são cobradas a fazer ações e participar mais ativamente das comunidades em que estão inseridas. Com a indústria da cannabis não será diferente.

Os consumidores estão cada vez mais conscientes do impacto que as marcas deixam, não bastando mais apenas a qualidade do serviço e dos produtos oferecidos pelas empresas.

Fala-se tanto em ESG no mercado de cannabis, afinal trabalhamos com uma matéria-prima muito sustentável do ponto de vista ambiental, mas não podemos esquecer que o nosso mercado também deve se preocupar com aspectos sociais e de governança. Melhorar a qualidade dos produtos gerados de forma caseira, tornar a indústria mais inclusiva e ser um agente de transformação positiva no mundo, é um dever de todos.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

Sobre o autor:

Cintia mora nos EUA, onde conheceu e se apaixonou pelo mercado de cannabis. Com mais de 15 anos trabalhando na área comercial de grandes empresas como Nestlé, Reckitt Benckiser e EMS, uniu a sua paixão pela planta, a sua experiência executiva e a sua vivência em um dos maiores mercados de cannabis para constituir, junto com duas sócias, a CannBoom: empresa que tem como propósito conectar, educar e promover o mercado de cannabis no Brasil. A CannBoom assessora empresas que desejam atuar ou melhorar seu posicionamento no Brasil por meio de treinamentos, workshops e consultorias.

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