O Fantástico mundo além da flor

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(Foto: Arquivo)

Por Maria Ribeiro da Luz

Um concentrado ou extrato é qualquer produto feito o qual a flor da cannabis é transformada em óleo, sendo que todas as partes da planta são descartadas, exceto os óleos essenciais – canabinóides e terpenos – contidos dentro das cabeças dos tricomas. Atualmente, com a legalização em alguns países, o mercado regulado explora uma gigante diversidade de concentrados de cannabis , sob as mais variadas formas, permitindo diversas opções de consumo além da flor. O tão popular óleo pode ser ingerido, bem como tinturas, cápsulas e comestíveis. As variedades de concentrados para fazer fumaça contam com uma extensa gama de consistências, cores e texturas pornográficas, dignas de deixar qualquer um – mesmo os não simpatizantes- com água na boca.

As inovações em concentrados de cannabis utilizam tecnologias para desenvolver novos métodos de extração e, logo, transformarão o consumo de cannabis. Contudo, é interessante – e confortante – notarmos que ainda são utilizadas técnicas ancestrais de coleta e preservação de tricomas. Existem tipos diferentes de haxixe e diversos processos de produção vêm sendo praticados há séculos, tendo como origem a polivalente planta da cannabis. Criações como a Temple Ball, ou o próprio charas, seguem sendo opções mais cômodas e acessíveis em países tropicais, como o nosso.

Prazer, haxixe!

O haxixe é uma forma de extração de cannabis, feito com os tricomas – aquelas glândulas resinosas que revestem a superfície das plantas – que quando removidas são processadas em forma de concentrado, portanto com um nível muito mais alto de THC do que a flor. A potência do haxixe pode variar entre 40-80% de THC, dependendo do material de base e dos métodos de extração, enquanto a flor geralmente tem até 30% de THC.

O haxixe é uma extração sem solventes, em que a remoção do tricoma é feita de forma mecânica e através de mudanças de temperatura, sem a utilização de solventes ou produtos químicos.

Um pouco da história

Acredita-se que a palavra “haxixe” tenha origem árabe, com significado de “erva seca”. Essa extração milenar foi popularizada em torno de 900 d.C, embora algumas variações, como a originária da Índia, Charas – resina “viva” retirada das mãos dos produtores de cannabis, após coleta dos tricomas após atrito entre a planta e a palma das mãos – exista antes mesmo da documentação escrita estar presente na humanidade.

Pesquisas apontam que a popularização do haxixe teve origem após a campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, em 1798, quando os soldados franceses trouxeram o haxixe para casa, difundindo a extração no mundo ocidental no século 19. Médicos europeus passaram então a importar haxixe para pesquisas, possibilitando o desenvolvimento de vários métodos de extração, que permitiram um maior refinamento em forma de tinturas e medicamentos com cannabis.

Extrações de cannabis eram produtos comuns em drogarias americanas e europeias até a virada do século 20. Com a proibição, em 1937, Roosevelt implementou o Marihuana Tax Act, a primeira lei nacional dos Estados Unidos que proibiu a posse de cannabis através de um imposto impagável sobre a droga. Os produtos de haxixe foram então proibidos e comercializados apenas no mercado ilícito.

Duas décadas mais tarde, o movimento da contracultura, nos anos 60, foi palco também para o haxixe, que voltou com força, exportado na forma de tijolos para o Ocidente, por países como Nepal, Afeganistão e Marrocos.

O retorno das extrações

No final dos anos 80, começaram a florescer técnicas para separação dos tricomas, começando com a máquina “master sifter”, traduzida do inglês, peneira mestra. De acordo com Ed Rosenthal , AKA ” Guru da Ganja” e pioneiro da legalização, em seu livro Beyond Buds, esta máquina de John Gallardi revolucionou as extrações, operando por vibração para separar os tricomas do material vegetal.

Neil Schumacher e Rob Clarke experimentaram métodos de extração em água, técnica precursora do que agora chamamos de Bubble Hash. Foi na High Times Cannabis Cup de 1997 que esse método foi popularizado com um equipamento introduzido por Reinhard C. Delp, posteriormente adaptado e modificado por Mila Jansen e, mais pra frente, aperfeiçoado pelo canadende Marcus “Bubbleman” Richardson, com suas bolsas BubbleBags, uma das poucas empresas no mundo inteiro que tem permissão para usar métodos da patente original de 1999.

Principais extrações sem solventes

As extrações sem solventes utilizam mudanças de temperatura, pressão e manipulação física para separar os tricomas do material vegetal da planta, dispensando o uso de química. Seguem as principais extrações sem solvente utilizadas atualmente :

Bubble Hash – é criado por meio de agitação mecânica em baixas temperaturas, mergulhando a matéria vegetal – flor seca ou congelada fresca – em água gelada. Ao congelar e, com a agitação, soltam-se os tricomas, que são coletados e separados da matéria vegetal através de um conjunto de bolsas em tecidos perfurados com micragens diferentes. O produto é uma resina em pasta úmida, que é então recolhida e passa por um processo de secagem, dando origem ao Bubble Hash. Sua aparência e textura podem variar entre seco/calcário, até gorduroso/oleoso.
Dry Sift/Kief – Traduzido literalmente, esse método de extração se chamaria peneira seca. Consiste na coleta dos tricomas por movimentação da matéria seca sobre uma série de telas tensionadas. As cabeças dos tricomas passam através dessas peneiras, separando-se da matéria vegetal por meio de agitação. O produto granular se assemelha a um pó oleoso, que pode ser consumido diretamente, misturado com a flor, ou compactado, sendo essa uma das formas mais tradicionais de fazer haxixe, utilizada pela cultura ocidental.
Temple balls – Formato muito tradicional de haxixe originário do Oriente Médio como “Royal nepalese temple balls”, consiste na coleção de cabeças de tricomas, reunidas, prensadas e enroladas à mão em uma massa esférica, que possibilita descarboxilação lenta e uma cura ideal, por conta da camada protetora que se forma nas extremidades da esfera em contato com o ar, que permite preservação por vários anos. O icônico hash maker French Canolli foi responsável pela difusão desse método no Ocidente, agregando a técnica do rolo compressor de garrafa de vidro com água quente
Rosin – É um extrato de canábis feito com apenas calor e pressão, sendo que o material vegetal é colocado em uma prensa aquecida e depois comprimido, extraindo assim o óleo contido nas cabeças dos tricomas. O Rosin fica pronto em minutos e não requer nenhum processo para purificação, é um extrato de amplo espectro, contendo o exato perfil de canabinóides e terpenos da planta original. O Rosin pode ser feito com as flores ou com o Hash, para refinamento do mesmo.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

Sobre a autora:

Maria Ribeiro da Luz é fundadora da Anandamidia, uma empresa especializada em mídias diversas para cannabis, que opera entre Brasil e Canadá. Maria está imersa no universo da cannabis no Canadá, e em suas colunas, aborda ciência, história e inovações do mercado norte americano, com o intuito de fortalecer a causa no Brasil.

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