Mulheres, o ecossistema da cannabis e a urgência da luta feminista

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Margarete Brito é a mais nova colunista Sechat (Imagem: Arquivo pessoal)

Por Margarete Brito

Você já se deparou com fotos tiradas em momentos políticos e decisões importantes, em que a maioria é homem? Ou pior, sem nenhuma mulher na foto?

Comigo já aconteceu várias vezes. A primeira delas foi, em 2014, durante a assembleia de fundação da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal (AMA+ME).

À esquerda, Margarete Brito e Emílio Figueiredo (Imagem: Arquivo)

Mesmo sem ter sido convidada para compor uma mesa com quatro homens, eu peguei uma cadeira do auditório e coloquei naquele lugar, porque, intuitivamente, era meu desejo participar daquela construção, naquele lugar. 

O nosso lugar é onde a gente quiser, lembra? 

Paridade de gênero em todos os espaços: necessidade da aplicações práticas

Essa foto alertam pessoas que estão minimamente conscientes da necessidade da aplicação, na prática, da paridade de gênero em todos os espaços.

No meu caso, cada vez que eu caminho em direção à espaços de disputa de poder ou tomada de decisões políticas, seja na militância, seja em Brasília, essa foto me lembra a necessidade e a urgência da luta feminista.

Ser a única mulher como porta-voz positiva relacionada à maconha, segundo report da KayaMind, retrata a urgência na luta feminista

Ao ser elogiada com o resultado do Anuário da Cannabis no Brasil, elaborado pela KayaMind, onde meu nome aparece (como a única mulher) em 5º (de 2018 a 2022) como porta-voz relacionada à maconha de forma positiva, me deixou triste, por razões óbvias. 

Imagem: reprodução Kaya Mind

Todavia, sou otimista e sinto que cada vez menos estou sozinha nesse lugar, hoje eu tenho ao meu redor inúmeras mulheres arrasando na Apepi (Associação de apoio à pesquisa e pacientes de Cannabis Medicinal), nas outras associações, na militância política,  na maternidade típica ou atípica e nas amigas da vida. Tenho uma admiração e gratidão profunda por todas elas.

Mulheres: uni-vos. Precisamos conversar. Precisamos ocupar os espaços. 

A pergunta que não quer calar: Será que se nessa lista estivessem outras mulheres na Presidência da Anvisa ou na Câmara Federal,  a maconha já estaria regulamentada no Brasil? 

Será que Dilma, Janja, Nísia Trindade, entre outros nomes, vem com a gente agora? 

Precisamos conversar com vocês de forma urgente!

Sabemos que não é fácil, nunca foi e nunca será, mas não temos outra opção a não ser continuar fazendo o que for possível em todas as agendas que nos afetam, seja cannabis, feminismo, maternidade típica ou atípica, precisamos ocupar esses espaços.

Minha mãe me mostrou (na prática) que somos donas das nossas vidas e que com muita luta, chegaremos onde quisermos. Sim, é possível! 

Tenho aprendido também com o movimento feminista que a revolução será nossa, ou não será. Touro com ascendente em capricórnio, é teimosa, não tem preguiça,  tropeça, cai, mas levanta, quantas vezes for preciso, sempre.

Estamos na área há tempos. Passa uma, passa todas. Que venha 2023 !!

Lançamento do documentário Ilegal: A vida não espera (Imagem: Arquivo)

Ah, se você tiver alguma foto que te surpreendeu, seja no rolê canábico ou luta política, me mande pelo direct @guetebrito.

Veja o relatório completo da Kaya Mind aqui:

https://kayamind.com/anuario-da-cannabis-no-brasil-2022/

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

Margarete Brito é advogada com especialização em responsabilidade social e terceiro setor na UFRJ, fundadora e diretora executiva da APEPI – Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis, que conta com mais de 4.500 associados. Primeira brasileira a receber o Habeas Corpus para o cultivo individual para produção de remédio para sua filha, se tornando principal referência de ativismo canábico no Brasil. Em 2014, sua história foi relatada no premiado documentário “Ilegal – A vida não espera”. Protagonista de reportagens na imprensa nacional e internacional, é pioneira na defesa dos direitos dos pacientes de cannabis medicinal. É mãe de Sofia e Bia e junto com seu companheiro e também diretor e fundador da APEPI, Marcos Lins, receberam a segunda autorização judicial para o cultivo pela Associação.

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