Mercado mundial da cannabis e do cânhamo poderá ser trilionário

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(Imagem: Arquivo Sechat)

Por Marcelo de Vita Grecco

Dimensionar o tamanho e o impacto financeiro da indústria de cannabis e de cânhamo no mundo nunca foi fácil. No entanto, analistas de todo o mundo estimam o que esse mercado pode vir a representar em termos de cifras. 

Trabalhos relevantes que orientam a todos nós que investimos tempo e dinheiro nesse novo setor. Levantamentos que nos ajudam a ter ideia do quanto esse negócio tende a ser promissor e quanto pode vir a crescer no médio e curto prazo, no mundo e, quem sabe, logo, logo também no Brasil.

Porém, uma avaliação de uma das mais importantes empresas de private equity de cannabis no mundo, a norte-americana Mérida Capital Holdings, me chamou a atenção. Será que estaríamos subdimensionando o verdadeiro impacto econômico dos negócios de cannabis no mundo?

A Mérida, que investe em mais de 75 empresas e administra mais de US$ 350 milhões em cinco fundos de investimentos, acredita que o mercado total de cannabis e cânhamo é muito superior ao das estimativas feitas até hoje pela maioria dos analistas e empresas de pesquisas.

Mercado trilionário

O impacto global da cannabis e do cânhamo, segundo a Mérida, tem potencial de atingir o fantástico montante de US$ 1 trilhão até 2027. O cálculo é feito levando-se em conta todas as vendas de cannabis e seus derivados, produtos de CBD à base de cânhamo, os custos em atividades auxiliares relacionadas à cannabis e ao cânhamo e os investimentos para regular as indústrias, entre tantos outros fatores.

Haverá, com certeza, novas oportunidades de negócios e geração de emprego e surgimento de profissões ou adaptação de funções para o suporte ao avanço desse mercado. Esse desenvolvimento exigirá, por exemplo, atividades auxiliares para apoio ao manejo e cultivo e à colheita da planta, à produção industrial, à logística de transporte e armazenagem dos produtos, entre outras tantas atividades auxiliares.

No Canadá, por exemplo, após a legalização, em 2018, foram criados mais de 151 mil empregos, e os negócios com cannabis geraram US$ 15 bilhões em arrecadação tributária direta e indireta. Entre 2018 (ano da legalização) e 2021, a cannabis movimentou R$ 43,5 bilhões na economia canadense.

O Paraguai, pioneiro, em 2013, da legalização mundial da cannabis medicinal, industrial e de uso adulto, movimenta mais de US$ 20 milhões no comércio da planta. Tornou-se até importante exportador para países como Alemanha, Argentina, Brasil, Israel, Portugal e Suíça.

USDA

Nos Estados Unidos, apesar de a legalização ainda não ser federalizada, a cannabis já é a sexta maior cultura do país, atrás somente de milho, soja, feno, trigo e algodão, de acordo com dados deste ano do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). Em comparação com 2021, a produção de cannabis aumentou 24% nos EUA, valendo US$ 5 bilhões pela cotação atual.

Imagine quando todos os 52 Estados da maior potência econômica do mundo permitirem a livre comercialização de cannabis e de seus produtos, além do cânhamo industrial. Hoje apenas 30 deles têm legislação favorável à planta. Certamente, o mercado norte-americano vai contribuir muito para que os negócios com a cannabis e o cânhamo atinjam a cifra do trilhão. 

A lógica do argumento de um mercado trilionário da cannabis e do cânhamo leva em conta o crescente avanço da legalização e regulamentação do plantio, produção e industrialização, venda e exportação de produtos à base da planta globalmente. Uma massa de milhões de consumidores em todo o mundo, hoje no mercado ilícito, em trânsito para um mercado regulamentado, sustentará o rápido avanço desse segmento que caminha para tornar-se trilionário pelo mundo em muito pouco tempo.

Sempre comunguei desse mesmo sentimento, de que o mercado mundial da cannabis e do cânhamo pode realmente ser muito maior do que o que vem sendo projetado até hoje. Quando o Brasil também entrar de vez nesse setor, certamente, estará no rol dos grandes players mundiais. 

Mais de 9.000%

Basta analisar os dados da Kaya Mind, primeira empresa brasileira especializada em dados e inteligência de mercado no segmento de cannabis e cânhamo. A estimativa é de que o setor no Brasil movimente, neste ano, o equivalente a R$ 917,2 milhões. Se comparado aos R$ 3,7 milhões dos negócios da cannabis no Brasil em 2018, o crescimento será de 9.734%. 

Somente o faturamento da indústria farmacêutica com medicamentos à base de cannabis deve atingir cifras muito maiores que as estimadas atualmente. A legião de médicos prescritores de cannabis ainda é pequena, mas cresce na medida em que a planta passa a ser legalizada pelo mundo, com o avanço de pesquisas e a redução do estigma da planta e a divulgação dos seus benefícios para a medicina e para a indústria. 

Cada vez mais rapidamente, temos observado resultados de pesquisas sendo validados pela comunidade científica. Isso costumava levar anos. A tendência é de que a ampliação do uso medicinal aconteça em tempo muito menor. A própria Mérida prevê que uma massa crítica de pesquisas sobre cânhamo de cannabis desponte  nos próximos dois anos.

Futuramente, a cannabis e o cânhamo provocarão uma verdadeira revolução em negócios voltados à saúde e bem-estar, à biotecnologia, na indústria do álcool e do tabaco, em produtos farmacêuticos e nutracêuticos, entre outros segmentos. Quem se surpreende com as cifras do mercado de cannabis conhecidas até hoje, pode ter certeza de que ainda estamos longe do pico desse mercado mundialmente. Rumo ao trilhão!

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

Sobre o autor: Marcelo Grecco é cofundador e CMO da The Green Hub, consultoria e aceleradora de startups com foco exclusivo no mercado legal da cannabis.

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