Futebol: o ponto de partida para outros entendimentos

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(Imagem: Arquivo/Sechat)

Por Jimmy Fardin

Depois de uma pandemia que trouxe tantos desdobramentos, de eleições tão polarizadas, ânimos tão aguçados, a Copa do Mundo de 2022 chega com tantos significados. 

O Catar ou Qatar (internacionalmente) é uma sociedade muçulmana tradicional. Um país do Oriente Médio e corresponde a um emirado, ou seja, administrado pelo membro da classe dominante, o emir. Na capital Doha, 90% dos habitantes são estrangeiros e a religião dominante é o islamismo.

Desde que foi escolhido em 2010 que iria sediar a competição este ano já vinha recebendo críticas pela forma como lida com o público imigrante, as mulheres e pessoas LGBTQIA+. A homossexualidade é considerada um crime (com pena de morte) no Catar e os direitos das mulheres são limitados por leis de tutela masculina. O consumo de álcool é bem restrito e a cannabis é estritamente proibida! 

Me fez refletir sobre o grande desafio que é, portanto, entender qual limitação será considerada aceitável para que não se perca a essência esportiva das competições, mas também como agir para que o direito fundamental à liberdade de expressão seja garantido aos atletas e membros do evento. 

Se assemelha ao paciente que tem a liberdade de escolher o que utilizar para se tratar, porém não pode ter acesso devido à proibição do plantio ou dos elevados custos da medicação. 

Os jogos nos estádios são incríveis, uma experiência única, porém, somente os ricos têm acesso uma vez que os preços dos  ingressos são exorbitantes, assim como os derivados da cannabis o são para muitos que necessitam. Os atletas também não podem se manifestar no país a favor dos direitos humanos ou homossexualismo. Do mesmo modo como muitos que utilizam a medicina da erva são estigmatizados e são julgados quando manifestam alguma simbologia relacionada à planta.

Qual o limite em aceitar uma lei ou uma regra quando essa fere princípios éticos e morais humanos?

Os trabalhadores no Catar, inclusive os que ajudaram a construir os estádios para a Copa do Mundo, tiveram que pagar para conseguir esses postos de trabalho e tiveram dificuldade para receber os salários, chegando a ser forçados a trabalhar em temperaturas muito altas. Relatórios apontam que mais de 6 mil trabalhadores imigrantes morreram desde o ano de 2010 submetidos a trabalhos em regime de escravidão. 

Estamos no século XXI, já passou da hora de rever leis e regras que foram criadas no século passado. O mundo vem mudando e evoluindo, é urgente questionarmos e lutarmos por nossos direitos. 

Que a Copa do Mundo seja um momento em que possamos refletir sobre as nossas virtudes como nação e que ao mesmo tempo, possamos trazer leveza para esse momento, abrindo espaço para o sentimento de patriotismo que cultivamos em torno do futebol.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

*Jimmy Fardin é médico ortopedista e traumatologista, com especialidade em cirurgia do joelho e artroscopia, especialista em medicina do esporte, e medicina canábica. Já participou de Olimpíadas e Paralimpíadas como médico. Experiente no tratamento de dor crônica, lombalgia, tendinites, artrose, doenças degenerativas. “Meu objetivo é cuidar de você como ser humano, não só sua patologia”.

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