‘’Estou muito animada com as oportunidades brasileiras’’, diz Jeannette Vandermarel

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(Imagem: Arquivo pessoal de Jeannete Vandermarel)

Da Redação Sechat

A vida de Jeannette Vandermarel, holandesa residente no Canadá, é marcada pelo pioneirismo. Desde que decidiu enveredar pelo mercado canábico, desbravou muitos espaços – e continua a fazê-lo, ainda hoje, aos 62 anos. Tudo começou em 1994, quando sua filha, Breanne, nasceu com uma síndrome rara chamada DRA, caracterizada por causar epilepsia grave. Jeannette era enfermeira e trabalhava em unidades de terapias intensiva pediátrica e neonatal, para crianças em situação crítica de saúde. Apesar de todo suporte possível, inclusive com o acompanhamento de  ótimos médicos, sua filha faleceu em 2003.

Jeannette seguiu trabalhando na carreira, entretanto, algo diferente lhe despertou internamente. Por volta de 2008 começou a ouvir relatos das famílias que faziam uso de cannabis para tratar epilepsias que não respondiam a tratamentos convencionais, condições semelhantes ao caso de sua própria filha.

Ela acompanhava, há algum tempo, muitas crianças com epilepsia refratária e os resultados positivos  animaram a enfermeira devido à descoberta de um novo medicamento mais eficaz. ‘Foi quando entrou  em contato com a equipe de neurologia e com o governo de saúde do Canadá para perguntar se poderia fazer um ensaio clínico com cannabis para epilepsia nos casos em que outros medicamentos não surtiram efeito.” Eles concordaram  mas disseram que eu precisaria cultivá-lo porque não tinham  nenhum suprimento e eu respondi… bem, eu sou uma agricultora”, conta ao Portal Sechat.

Com os pais holandeses que emigraram para o Canadá, Jeanette. passou a infância cultivando maçãs, na fazenda da famílias, atividade que exerce até hoje. Por volta de 2009, a também agricultora possuía uma fazenda de 25 acres. Foi então que, a partir da permissão governamental, ela  e o marido construíram, com investimento próprio, prédios para cultivar cannabis. Passado algum tempo, em 2011, a Health Canada, órgão governamental, responsável por ajudar os canadenses a manter e melhorar a saúde, voltou a contatá-la para pedir permissão de pesquisa. O órgão quis saber se Janette preferia se tornar uma produtora comercial.

Foi quando ela e o marido  se tornaram os primeiros produtores com permissão comercial no Canadá, país pioneiro no mercado da cannabis. Fundaram  a primeira empresa,  The Green Organic Dutchman, que em  2017 teve o capital aberto na bolsa de valores de Toronto, com avaliação de US $1,4 bilhão. Depois do sucesso, abriu  outra companhia, a  Good & Green, na qual  hoje ocupa o cargo de CEO. Recentemente, adquiriu um armazém interno de 5.574 m2 e uma fazenda orgânica de 100 acres. Em 2019, vendeu essa empresa por meio da 48 North, tornando-se co-CEO.

A empreendedora é conselheira respeitável em toda a indústria canadense de cannabis, já palestrou ao redor do mundo e hoje, em seu negócio mais recente, foi para o México com sua empresa canadense Goldcann International, que atua no mercado mexicano de bem-estar. Janette está animada com novas oportunidades surgindo no mercado como na América Central, América  do Sul e Europa.

Já no Brasil, entende que o desenvolvimento do mercado é uma questão de tempo, pois há uma tendência comprovada cientificamente. A empresária, uma das convidadas e speakers do Cannabis Thinking. Realizado pela The Green Hub, oevento acontece em setembro em São Paulo, capital,  e reunirá grandes personalidades, pesquisadores, especialistas e artistas envolvidos no  meio canábico  para o importante debate sobre o assunto. 

‘’Estou muito animada em conhecer o Brasil.  É um dos lugares que eu sempre quis visitar e estou muito empolgada com o espaço da cannabis e com a possibilidade de expansão. Tenho trabalhado por muitos anos nos espaços canadenses, nosso mercado é diferente, já consolidado”, compara.  “Aqui no Canadá tudo se deu bem a passos lentos e olha como estamos. Acho que fizemos as coisas certas nas medidas certas e adotamos uma abordagem legal”, avalia.

Em um atual cenário onde o mundo clama por mais saúde e qualidade de vida, ter acesso a produtos naturais ainda é um grande desafio, principalmente para as famílias brasileiras. A cannabis, uma planta medicinal que foi injustamente perseguida por muitos anos ao redor do globo, é responsável por tratar inúmeras doenças presentes em milhões de brasileiros, como a ansiedade, depressão, Alzheimer, autismo, dor crônica e, principalmente, epilepsia refratária, doença do qual a filha do casal Vandermarel foi acometida.

‘’Sinto que minha filha que me trouxe a isso,  perdê-la  me trouxe  a essa  causa. Espero que o meu trabalho tenha ajudado a promover a cannabis e torná-la mais aceitável e acessível, bem como  a apoiar mulheres em geral, mães e pacientes que precisam da planta para remédios ou terapia. É isso o que realmente me motiva”, conclui.

Cannabis Thinking 2022: 15, 16 e 17 de setembro

CIVI-CO | Negócios de Impacto Social: R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 445 – Pinheiros, São Paulo

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