Entrevista com Emília Santos Giovanni – A luta de uma mãe

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(Imagem: Pexels Nataliya Vaitkevich)

Por: Sofia Missiato

Emília Santos Giovanini e o marido Alberto Giovannini moram atualmente em Mogi das Cruzes (SP) e conquistaram, com apoio do advogado pessoal da família que entrou com uma ação judicial na justiça, permissão para cultivar maconha em casa unicamente para produzir o óleo prescrito para tratamento do filho, Ítalo Giovanini, hoje com 11 anos.

A criança foi diagnosticada com autismo quando tinha  um ano de idade, e logo foram iniciados aos tratamentos tradicionais que nunca atenderam à expectativa médica. Após algumas alternativas de medicamentos, a família mudou-se do município de Suzano (SP) para Mogi das Cruzes (SP). Ítalo já tinha sete  anos de idade e a mudança para a cidade atual foi uma tentativa de obter uma solução ideal para a criança. A mãe afirma que até então, não possuía o acolhimento necessário na vida escolar do filho. Assim, optaram por estabelecerem domicílio próximo a uma APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) em Mogi. ‘’Aqui ele foi bem amparado e teve uma boa atenção’’, diz Emília.

O casal, de técnicos em farmácia, conhecia na teoria o tratamento com cannabis, mas foi somente com o curso oferecido pelo Padre Ticão, líder da luta pela legalização da cannabis medicinal, que ambos se informaram melhor. ‘’Conseguimos o extrato de cannabis, no primeiro momento, por meio de uma maneira irregular, pois algumas pessoas desistiram do óleo e a gente acabou comprando, logo quando o Ítalo começou a tomar o medicamento, demonstrou boa resposta na terapia’’, explica a mãe. 

Emília afirma também que alguns frascos que ganhava ou até mesmo quando comprava não surtia o mesmo efeito. ‘’Alguns deles eram óleos muito ricos em THC e o Ítalo não respondia muito bem. Não tínhamos condições de ficar comprando porque era muito caro, foi durante essa encruzilhada que decidimos  começar a plantar, nesse momento buscamos uma cepa que fosse bem rica em CBD’’, relata ela.

Embora o Ítalo não saiba falar, o olhar dele fala ensurdecedoramente

A família começou o tratamento com o óleo de cannabis há 3 anos e afirmam que logo depois da decisão de plantar o próprio medicamento, juntaram toda a documentação necessária para a obtenção de um habeas-corpus, assim, ressalta Emília, conseguiram realizar um tratamento à base de canabinoide de maneira segura e confiável. ‘’No começo foi difícil, precisávamos mandar relatórios, muitas receitas de médicas, comprovando a necessidade  utilizar o óleo no Ítalo”, conta a mãe. E complementa “a nossa plantação é o sustento, da qualidade de vida do nosso filho, porque na verdade, é a qualidade de vida de todos nós, pois dentro de uma casa que existe uma pessoa doente, a família inteira adoece, o autismo, quando não é tratado, prejudica todos os envolvidos”, finaliza.

(Imagem: @institutoviverItalo)

O custo do óleo de cannabis importado pode chegar a  R$ 2,5 mil por um frasco de 30 ml, prejudicando o orçamento de muitas famílias brasileiras que necessitam do tratamento, e que neste caso, acabam optando pela compra do frasco em associações, que vendem o medicamento por R$  300,00. Ainda assim, inacessível para a maioria.

Resistência

Depois que o casal de farmacêuticos aprofundou seus  conhecimentos com a terapia à base de canabidiol, ambos sentiram a necessidade de levar o conhecimento adiante. Logo após a mobilização social que criaram em torno da condição especial do filho Ítalo, construíram um instituto com o nome: Instituto viver Ítalo, onde reuniram profissionais como advogados, médicos, farmacêuticos e profissionais da área no intuito de envolver a sociedade, por meio de rodas de conversas, seminários, e afins. Atualmente, estão montando um curso em Mogi sobre cannabis, com o intuito de instruir pessoas e famílias que desejam realizar um habeas-corpus para poder cultivar a planta e terem acesso a extração do CBD. O curso iniciará no dia 8 de outubro e terminará no dia 19 de novembro sendo ministrado por Emília Santos Giovanini.

Tentativas 

Ítalo fez uso de outros medicamentos antes de chegar no extrato de cannabis, como: Respiridona, Neusini, Quetiapina, e tantos outros que deixavam o menino dopado ou ainda sem melhora aparente. Uma vez, Emília conta que seu filho foi internado por uma crise de convulsão, após tomar 4 ml de Respiridona.

‘’Não podemos voltar no tempo, eu não tinha acesso à cannabis antes, mas se tivesse poderia curtir mais meu filho, brincar, enfim, hoje temos a oportunidade de ter um convívio lindo com meu filho, no passado, quando ele era menor, não tivemos essa chance’’, conta.

Emília diz que o Instituto foi criado com o objetivo de facilitar o acesso, ensinar a plantar, a extrair o CBD, informar e passar o conhecimento para quem precisa e quem sabe até doar os primeiros frascos do medicamento. ‘’Eu tenho uma energia e quero que todo mundo sinta essa felicidade, de ver o filho feliz, evoluindo, não quero que pare em mim ou em outras pessoas que conseguiram atingir isso, é um sentimento de alegria e de satisfação que todos devem ter acesso’’.

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