Enquanto o Brasil proíbe, no Chile o governo fomenta a pesquisa com o Cânhamo

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(Imagem: Arquivo/Sechat)

Por Lorenzo Rolim

Notícias animadoras vindas do Chile esta semana. O país é considerado um dos mais avançados economicamente na América Latina, e nos últimos anos sofreu uma profunda reforma no sistema político liderada pela esquerda local, que culminou com a eleição do atual presidente, Gabriel Boric, de apenas 36 anos de idade.

O governo atual é abertamente favorável a pautas progressistas e de justiça social e dignidade, e aparentemente isso se estende também a cannabis medicinal e ao cânhamo industrial.

A empresa chilena Diamond Hemp, criada pelos empresários Sebastian Cuadra e Felipe Varas (Embaixador LAIHA no Chile), juntamente com a UDT – Universidad de Concepción e Cetelor, empresa Francesa de pesquisa em fibras, conseguiram um apoio de $ 120,000.00 Dólares americanos (quase R$ 660,000.00 reais na cotação atual), do CORFO (Corporación de Fomento de la Producción, órgão governamental ligado ao Ministério da Economia Chileno). A CORFO supervisiona uma variedade de programas destinados a gerar o desenvolvimento econômico do Chile, por meio da promoção do investimento interno e da defesa da competitividade das empresas nacionais. As principais áreas de foco da CORFO são Qualidade e Produtividade, Inovação e Promoção de Investimentos.

“O projeto é um fundo Corfo, I+D+i Colaborativo, onde nossa empresa Diamond Hemp junto com a iniciativa colaborativa UDT da Universidade de Concepción, se unem para buscar a valorização das fibras de cañamo e provar diferentes alternativas de materiais de construção sustentável. O projeto se estima em 150 mil dólares, onde 120 são investidos pelo Corfo e 30 por investimento próprio da empresa.

Estamos postulando um outro projeto com a Universidade Católica para a fabricação de Hempcrete. A UDT desenvolve uma série de projetos com empresas privadas, buscando soluções tecnológicas e novos materiais para processos produtivos distintos.” – diz Felipe Varas, Diamond Hemp.

As empresas em conjunto irão realizar o desenvolvimento de projetos pilotos para produzir materiais de construção sustentáveis com fibra de cânhamo. Esta é uma grande conquista que permitirá mostrar o potencial da fibra de cânhamo e dar o primeiro passo no desenvolvimento desta indústria no Chile.

Além disso, é um demonstrativo de que é possível desenvolver pesquisa de qualidade com o cânhamo na América Latina e com apoio dos Governos locais. O desenvolvimento de materiais de construção sustentáveis com utilização de fibra de cânhamo é um tema que está em alta na América do Norte e na Europa, seguindo uma tendência mundial de descarbonizar e reduzir o impacto da indústria de construção civil, que é uma das que mais emite e polui. O uso da fibra de cânhamo para produção de concreto, o chamado “hempcrete”, é uma maneira fantástica de reduzir o impacto em projetos de construção, uma vez que as fibras são carbono fixado da atmosfera que será imobilizado em construções por até centenas de anos. 

Os blocos de concreto também possuem um peso mais leve e são muito resistentes a impacto, além de serem resistentes ao fogo, o que faz com que as emissões relativas ao transporte de cargas sejam reduzidas e os custos também. 

O projeto no Chile, pode ser um excelente exemplo para outros governos da região se mobilizarem e permitirem pesquisas com o cânhamo industrial, principalmente países como o Brasil, que recentemente publicou uma cartilha sobre a Cannabis repleta de erros fáticos e dados totalmente inverídicos sobre os usos medicinais da planta, deixando bastante claro que não tem nenhuma intenção de avançar sobre o tema em um futuro próximo

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