Autismo

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O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) como também é conhecido, é uma disfunção no desenvolvimento neurológico, que costuma aparecer pela primeira vez durante a infância e gera alterações na comunicação, dificuldade ou ausência de interação social e
mudanças no comportamento. Em outras palavras, pacientes autistas têm dificuldades para firmar relações sociais ou afetivas e demonstram viver em um mundo isolado. Atualmente, já existem estudos sobre o uso medicinal da cannabis em pacientes diagnosticados com autismo.
O Transtorno, ainda não tem uma causa conhecida. De acordo com o último Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), um guia de classificação diagnóstica produzido pela American Psychiatric Association, diversas condições foram fundidas e passaram a receber um único diagnóstico (Transtornos do Espectro Autista). São elas: Transtorno Autista; Transtorno Desintegrativo da Infância; Transtorno Generalizado do Desenvolvimento Não-Especificado (PDD–NOS) e Síndrome de Asperger.

Dessa forma, pacientes com espectro autismo leve, TEA Asperger e outros transtornos passaram a integrar esse significado de TEA, que consiste em uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento.

O desconhecimento sobre o autismo é o principal motivo pelo qual a condição ainda sofre preconceitos e que faz com que pais de crianças diagnosticadas com o transtorno tenham receio pelos filhos.

 

Sintomas do TEA

Os sintomas de autismo confundem-se com as características apresentadas geralmente pelos pacientes diagnósticos com TEA. Ainda assim, podem ser identificadas como recorrentes os seguintes comportamentos:

– Dificuldade para interagir socialmente, como manter o contato visual, expressão facial, gestos, expressar as próprias emoções e fazer amigos;
– Dificuldade na comunicação, optando pelo uso repetitivo da linguagem e dificuldades para começar e manter um diálogo;
– Alterações comportamentais, como manias próprias, interesse intenso em coisas específicas e dificuldade de imaginação.
O diagnóstico possível a partir dos sintomas de autismo é comum na infância, ocorrendo normalmente entre 2 e 3 anos de idade.

 

A cannabis medicinal no tratamento do autismo

Em Israel, por exemplo, país mais avançados nos estudos da cannabis medicinal, a neurologista pediátrica Orit Stolar dirige o Programa de Intervenção Precoce. Um projeto combinado entre o hospital em que trabalha e a Associação Nacional Israelense para crianças com autismo (Alut). Orit lista vários avanços em redução de raiva, ansiedade e hiperatividade, além de melhora do sono e integração social em pacientes com autismo.

 

Estudos

Os tratamentos convencionais para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) têm eficácia limitada e costumam estar associados a um grande número de efeitos colaterais. Medicamentos já existentes no mercado, geralmente melhoram os comportamentos problemáticos associados à patologia, mas não têm como alvo o domínio do sintoma central. Como resultado, muitas pesquisas para desenvolver novas
terapias experimentais estão em andamento. O uso dos fitocanabinoides como neuromoduladores que se combinam com os respectivos receptores e enzimas metabólicas no sistema endocanabinoide (SEC) tem se mostrado, segundo estudos, como eficiente articulador do sistema nervoso central, ou seja, as pesquisas apontam grande eficácia no tratamento do TEA, por agir no lobo temporal, medula e tálamo, áreas do cérebro mais afetadas pela patologia.

 

Revisão dos estudos existentes

Em uma revisão sistemática de abordagem qualitativa, foram utilizadas as bases de dados da PubMed/Medline a partir de diversos estudos relacionados à cannabis medicinal e ao tratamento do Autismo. Um deles, feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais e pelo Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade de Brasília, publicado em outubro de 2019 na plataforma, reuniu 18 pacientes
com TEA, com idades entre 6 anos e 17 anos submetidos ao uso compassivo do canabidiol (CBD). No prazo de 12 meses, em 15 pacientes foi notada melhora dos distúrbios do sono, das convulsões e das crises comportamentais. Isto é, foram identificados sinais de melhora no desenvolvimento motor, comunicação e interação social, além do desempenho cognitivo.

O estudo, denominado “Efeitos do extrato de Cannabis sativa enriquecido com CBD nos sintomas de transtorno do espectro do autismo: um estudo observacional de 18 participantes submetidos ao uso compassivo”, concluiu que a maioria dos pacientes que aderiram ao tratamento tiveram melhora em mais de uma categoria de sintomas: “sete pacientes (47%) tiveram melhora igual ou superior a 30% em quatro ou mais categorias de sintomas; dois pacientes (13%) apresentaram melhora igual ou superior a 30% em duas categorias de sintomas e cinco pacientes (33%) apresentaram melhora igual ou superior a 30% em uma categoria de sintomas. Apenas um paciente, referido como Caso 9, que estava recebendo vários medicamentos neuropsiquiátricos ao longo do estudo, apresentou manutenção geral ou piora dos sintomas”, relatou a pesquisa.

 

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A fita quebra-cabeça é um símbolo internacional que representa o mistério e a complexidade do autismo (Foto: Reprodução)

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