Consciência Negra: A dificuldade que negros encontram para entrar no mercado da cannabis

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(Imagem: Pexels/Christina Morillo)

Por Sofia Missiato

Alguns afro-americanos se perguntam se as desigualdades raciais os impedirão de participar da indústria da cannabis quando ela se consolidar por aqui. No Brasil o dia 20 de novembro foi escolhido como o dia da consciência negra, data que celebra a negritude e a luta da população preta do país.

Uma das maiores personalidades representativas da força e da luta da população negra está centralizado na figura do Zumbi dos Palmares, ele teria liderado por anos o Quilombo dos Palmares e sua morte teria ocorrido em 20 de novembro de 1695, em combate e fuga.

A perseguição persiste

Em um país onde a maioria da população brasileira se autodeclara negra, representando 56% dos habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também é um país que renega seus descendentes, nos últimos dez anos, uma pessoa negra teve ao menos duas vezes mais riscos de ser assassinada do que qualquer outra no país. Em 2019, essa diferença foi a segunda maior registrada no período: 2,6 vezes. Naquele ano, negros foram 75,7% das vítimas de homicídios no Brasil. Os dados foram divulgados no Atlas da Violência 2021, produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e se referem ao ano de 2019.

Mercado da cannabis medicinal no Brasil

O número de registros e importações de produtos de cannabis vem crescendo de forma rápida e consistente. Segundo dados da BRCANN (Associação Brasileira da Indústria de Canabinoides), as autorizações da Anvisa cresceram 113% em 2021 na comparação com o ano anterior.

Parâmetros de mercados consolidados

Empreendedores negros respondem por menos de 2% dos negócios de maconha nos EUA. Uma pesquisa de 2017 do Marijuana Business Daily descobriu que 81% dos proprietários e fundadores de empresas estadunidenses de cannabis eram brancos e apenas 10% dos fundadores de empresas de cannabis foram identificados como hispânicos/latinos ou negros. Em 2021, apesar dos negros representarem aproximadamente 13% da população, eles representavam apenas 1,2% a 1,7% dos empresários do setor,  de acordo com o relatório de empregos do Leafly.

Pensando na cannabis legal, a definição de equidade social deve ser expandida para incluir a capacitação das comunidades desprivilegiadas que foram diretamente afetadas pela guerra às drogas. Isso se refere a todos os países marcados pelo racismo.

A cannabis é uma indústria em expansão e a pandemia de Covid-19 ajudou no setor. A indústria legal de cannabis somente nos EUA agora responde por 321.000 empregos em tempo integral nos 37 estados com mercados legais de uso médico ou adulto. No ano passado, quando grande parte do país ainda estava se recuperando da Covid, a indústria da cannabis criou 77.300 empregos, com vendas nos EUA atingindo US$ 18,3 bilhões. O resultado é um aumento de 32% no crescimento ano a ano – criando empregos em um ritmo mais rápido do que qualquer outra indústria nos Estados Unidos.

Mas para muitos negros americanos, a perspectiva de gerar riqueza por meio da indústria da maconha está fora de alcance. Regras de equidade social podem ser um meio de reduzir as barreiras de entrada para as comunidades mais afetadas por leis discriminatórias sobre drogas.

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