Cannabis Thinking conclui os trabalhos deste ano

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Alex Lucena, chefe de inovação do The Green Hub, encerra o evento (Imagem/Arquivo Sechat)

Por redação Sechat

Abaixo as mesas que fecharam o encontro:  

PROMOÇÃO À SAÚDE – Valéria França (moderadora) André Steiner (fundador – The Quantic hub), Angela Durand (Gerente de serviços de saúde na Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança) e Giovanna Ferrarezi (Atleta campeã brasileira de salto com vara). 

André Steiner contou que a The Quantic Hub, empresa de cannabis especializada em testes genéticos e produção de medicamentos, está lançando a medicina de alta precisão, coleta dados genéticos que faz uma formulação específica para cada paciente. 

 A experiência terapêutica da cannabis é única. Por isso, precisamos nos apoiar em ciência, entendendo nossa genética e descobrindo como cada organismo responde ao uso medicinal da cannabis e suas diferentes cepas.


Angela Durand explicou que a associação que comanda atende pacientes sem condições financeiras de comprar medicamentos derivados de cannabis.

Hoje são 36 mil famílias beneficiadas com nossos produtos. Estamos lançando também um software chamado Legacy, o primeiro do tipo com autorização da Anvisa e que poderá ser usado por todas associações. Com três módulos (Associativo, Associação e Médicos) vai auxiliar questões de dosagens, prescrição e acompanhamento de autorizações.

A atleta Giovanna Ferrarezzi alertou para a necessidade de o esportista profissional ter muito cuidado com o que ingere, pois a WADA (agência mundial antidopagem) pode realizar severas punições. 

Em época de competição eu não costumo tomar um medicamento Full Spectrum, que contém todos os canabinoides porque apesar do CBD ser permitido o THC ainda não é.

Giovanna Ferrarezzi, Angela Durand e André Steiner (Imagem: Carolina Collet/Sechat)

Quando fiz minha operação do joelho e não estava competindo, tomei o medicamento de Espectro total, que ajuda na regulação do meu sistema endocanabinoide, juntos, os compostos da cannabis têm uma ação mais eficaz. Tomo 15 gotas diárias e, assim que ajustar minha dosagem de acordo com os parâmetro aceitos pela WADA, voltarei aos treinos.” 

JUSTIÇA CLIMÁTICA – Luciano Souza (moderador), Isa Pena (Isadora Martinatti Penna, deputada estadual e candidata à reeleição pelo PCdoB), Joseph W. Williams (Entrepreneur, Fundador e CEO na InDev Capital), Marcelo Demp (Vice-Presidente na LAIHA – Latin America Industrial Hemp Association e Luciano de Souza ((Sócio do escritório White Collar & Investigations)

Isa Pena é militante desde os 17 anos e por uma decisão coletiva e mudanças na política brasileira, acabou sendo escolhida para ser candidata. Advogada, trabalhou em diversas áreas, como feminista exercia a profissão dentro da sua militância. Em 2013 se candidatou à deputada estadual, mas não conseguiu se eleger. A cannabis sempre foi uma das suas lutas, participou de todas as marchas da maconha e em suas campanhas a planta sempre esteve pautada.

Um dos vieses quando falamos da legalização da maconha é o da saúde, mas eu entro nesse debate pela porta do preconceito no país contra um povo oprimido. Quando ouvi falar de sistema endocanabinoide fui estudar sobre o assunto. Aprendi uma série de outras possibilidades com a planta, a questão ambiental, sobre o cânhamo que é um ótimo substrato, além de outras funções importantes.

“A legalização da maconha é um ganha-ganha para todo mundo, estamos falando da economia, geração de empregos, da questão climática. Então, hoje temos consciência para enfrentar o conservadorismo no Brasil, isso muitas vezes significa até perder votos, no meu caso, mas agradeço, pois essa é uma pauta indispensável para todos.”

“Nossa juventude, que hoje tem crises de ansiedade, pânico, enfim inúmeras doenças emocionais, ganhariam muito em trocar os antidepressivos pelo CBD e melhor ainda se isso fosse uma política de saúde pública. ”

“Se estamos debatendo aqui uma nova economia, um novo mercado, isso vai nos fazer trabalhar todos os setores como logística, empregos, produção. Por que não priorizar em uma possível legalização os povos esquecidos? Por que não trazer para esse novo mercado as mulheres que precisam recomeçar suas vidas por causa da violência domésticas, os jovens negros, ou até mesmo os LGBTQIA+?  Estamos lidando com uma nova matéria prima, dessa forma, por que não por meio dela trazer povos deixados de lado pelas políticas públicas para esse novo mercado. ”

“Esse mercado que se abre precisa comprar um lado histórico, não há como construir um setor isentão da cannabis, ele tem que andar com políticas afirmativas e reparatórias precisamos ir além nas propostas. Estamos falando de um mercado que pode naturalizar jovens trans trabalhando, de um mercado marginalizado e que deve andar junto com outras esferas que também se conectam nessa marginalidade. ”

“Esse mercado pode e deve se posicionar, defendendo valores democráticos, isso está em jogo em nosso país e isso precisa entrar na história dessa forma. 

“O mercado da cannabis não pode deixar de dar a mão para pautas de luta como racismo, homofobia, entre outras pautas excluídas do debate por muitos anos. A ideia é construir um sistema de cooperação com os povos que já estavam aqui. Isso seria um movimento histórico.”

Ao decorrer dos anos Marcelo Demp foi aprendendo sobre a importância da cannabis desde o plantio, passando pela fabricação até a distribuição. O Paraguai foi o primeiro a entender a importância do cânhamo e, para ele, estamos tendo a responsabilidade e a consciência social de trabalhar com a planta de forma ampla e natural. 

“Hoje não existe ninguém interessado em cannabis com princípio ESG. Todo mundo fala que tem interesse social, sustentável, mas ninguém investe um real em princípios. A consciência das pessoas é algo complicado, todo mundo fica na sua zona de conforto, mas o Paraguai tem investido, trabalhando com bônus verdes, povos tradicionais, clima. A gente está nessa há quatro anos, ainda temos uns dois anos para concluir um processo de certificação para gerarmos bônus verdes. Quando transformamos o ESG em benefício econômico, as mudanças ocorrem. No Brasil falta tempo para se chegar a esse ponto.”

“No dia que o Brasil se flexibilizar para a produção e plantio espero que o mercado tenha consciência para começar por esse caminho da ética dentro dos conceitos do ESG. Ainda não existem muitas empresas focadas em certificar o crédito de carbono, estamos nessa busca porque para o Paraguai isso é muito importante.”

Confira a entrevista completa:

Marcelo Demp, vice presidente da Associação latino-americana de cânhamo (LAIHA).

Luciano de Souza conta que os efeitos climáticos não são iguais para todos. Para ele, países que poluem mais devem trabalhar mais e povos que sofrem mais as consequências climáticas devem ser beneficiados.

“Quando a gente vai para a ONU, ela diz que o termo da justiça climática é uma forma de trazer a política ética para dentro de uma justiça climática. A justiça social traz o diálogo para o clima, para os povos tradicionais, precisamos fazer isso funcionar. Justiça climática nada é mais do que darmos voz aos povos que sempre foram deixados de lado.” 

Joseph W. Williams contou que a ideia dos investimentos é criar soluções para que as pessoas não desmatem, para que se aplique em regeneração de solo. Para ele há muitos aspectos econômicos nesse processo e ninguém deseja ver um museu de árvore no futuro. Na sua opinião, as pessoas estão interessadas em cuidar do clima, pois dinheiro sem planeta não adianta para nada.

“O ponto central nas finanças é que as pessoas se preocupam com duas coisas:  o dinheiro e os filhos. Em relação ao dinheiro eles se preocupam como é que os filhos estarão no futuro. A gente não quer que nossos filhos vão no museu para ver árvores. O problema do Brasil é o alto custo do capital, quando pensamos em investidores, pensamos quem são essas pessoas que investem em impactos climáticos positivos, que têm dinheiro e que estão preocupados com o futuro dos filhos.”

“O Brasil tem 44 milhões de hectares degradados pelo pasto e quando não há mais pasto em uma determinada área, ele muda o gado, derruba árvores e degrada ainda mais. Estamos propondo ao fazendeiro comprar o pasto degradado por ele e que nvista em cannabis que regenera o solo, mas para isso é preciso avançar o diálogo no país.” 

REPARAÇÃO HISTÓRICA –  Cris Guterres (Mediadora), Simone Silva (Professora Universitária e Assistente Social), Júlia Zacarelli (Bióloga e doutora em veterinária e zootecnia), Pedro Magalhães  (Responsável pela área de Tecnologia da informação da Universidade Zumbi dos Palmares).

A Universidade Zumbi dos Palmares criou uma plataforma digital chamada Acolhe que, em parceria com o Procon-SP, atua na quebra de paradigmas em relação ao racismo, voltada às pessoas que foram vítimas de preconceito ou que desejam aprender a se posicionar como antirracista. 

Uma das pesquisas recém-elaboradas tem o intuito de descobrir qual parcela da população negra faz uso de medicamentos de cannabis no Brasil e levar apoio até aqueles que necessitam, por meio de treinamentos, educação continuada e acompanhamento médico para abrir caminho e criar ações eficazes. As métricas definidas para este projeto foram: entender o segmento e atingir o letramento racial. 

Saiba mais:

https://zumbidospalmares.edu.br/projeto-racismo-zero-entrega-do-curso-de-letramento-social/ 

Simone Silva, professora universitária e assistente Social, falou de pertencimento e reparação histórica.

“É muito importante que as instituições de ensino estejam comprometidas com a causa negra, afinal, as pessoas são racistas, não as estruturas. Racismo não é um problema de negros. Não fomos nós que o criamos. ” 

“Quando se fala de maconha, se fala de terra, e quando se fala de terra, falamos de pertencimento, e quando falamos de pertencimento, falamos de reparação histórica. Fazer uma desconstrução dói, pois mudar um conceito é um trabalho árduo, mas necessário. ”

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