Cannabis e Síndrome de Tourette, entenda essa relação

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(Imagem: Gerd Altmann/ Pixabay)

Por João R. Negromonte

A Síndrome de Tourette (ST), é um distúrbio do sistema nervoso que se caracteriza por movimentos repetitivos ou sons indesejáveis. Normalmente, se manifesta na infância e pode acompanhar a pessoa pelo resto da vida, o tratamento pode incluir medicação ou terapias psicológicas.

Atualmente, as terapias convencionais incluem antipsicóticos de alta potência, que podem causar efeitos adversos e significativos nos pacientes. Assim, a busca de novas e promissoras alternativas de tratamento, como o canabinoide, são cada vez mais importantes e necessárias

Pesquisas mostram que os compostos da cannabis, como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), podem ser eficazes para problemas comportamentais e tiques causados pela Síndrome de Tourette. No texto a seguir você terá acesso a informações relacionadas à cannabis e como ela pode atuar no tratamento desta patologia que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), afeta 1% de toda população mundial. 

Alguns estudos existentes

Durante alguns anos, diferentes ensaios clínicos que demonstram a eficácia dos derivados da cannabis para os distúrbios de movimento, se tornaram cada vez mais comuns. Uma dessas evidências, foi publicada em 2003 pela revista Neuropsychopharmacology, que revelou que o THC, por um período de seis semanas e uma dosagem de 10mg, tratou 24 pacientes com Síndrome de Tourette. 

Durante esse período, os pacientes demonstraram uma evolução da capacidade verbal e cognitiva.. Após seis semanas de tratamento, com a retirada do THC, não foi observado nenhuma diminuição da memória visual, atenção ou aprendizado dos pacientes que participaram do estudo. Os pesquisadores identificaram ainda uma evolução nos déficits cognitivos agudos causados pela doença. 

Outro estudo, publicado em 2020, mediu os níveis de importantes canabinoides no líquido cefalorraquidiano – fluido biológico que está em íntima relação com o sistema nervoso central (SNC) e seus envoltórios – em pacientes de ST adultos em comparação com um grupo de controle comum, isto é, que não possuem diagnóstico da doença.

Os pesquisadores descobriram que existe uma relação entre os compostos Anandamida (AEA), Anaquidonoglicerol (2-AG), uma molécula semelhante ao endocanabinoide Palmitoil Etanolamida (PEA) e o Ácido Araquidônico Lipídico (AA), com alguns sistemas neurotransmissores, o que deixa claro que existe uma relação primária entre o controle do Sistema Endocanabinoide (SEC) e a ST. Dessa forma, tal associação mostrou que dependendo dos níveis desses compostos pacientes com a doença podem controlar os tiques e espasmos involuntários.

Claro que estes são apenas alguns dos estudos existentes e que necessita de mais conhecimento médico e práticas clínicas para comprovar a relação entre a Síndrome de Tourette e os compostos da cannabis, entretanto, são passos importantes para o desenvolvimento de novas pesquisas.

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