Bebida de Cannabis já é uma realidade!

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Tiago é advogado e há seis anos mudou para o Canada, onde também se graduou em marketing. Atualmente, ele trabalha com desenvolvimento de negócios, estratégia e planejamento de projetos para a Hexo Cop., uma grande empresa canadense no ramo da cannabis. (Créditos da imagem: Arquivo pessoal)

Coluna de Tiago Zamponi

O que antes era uma ideia ou mesmo um sonho agora se tornou realidade, pelo menos nos Estados Unidos e aqui no Canadá. Em quase dois anos, quando a venda de bebidas de cannabis foi permitida no Canadá, a evolução dessa categoria é surpreendente.

Confesso que os primeiros produtos não eram saborosos e o sabor da cannabis era muito forte, mas no ano passado, vimos o surgimento de produtos deliciosos em que nem sequer sentimos a cannabis. Além do mais, se tirarmos da embalagem, não saberemos diferenciar entre uma Coca-cola ou uma bebida de maconha, por exemplo. (Imagem abaixo)

A picture containing beverage, soft drink

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Cannabis-Infused Root Beer Soda by Keef Cola

De acordo com a Headset (uma empresa líder em análises de cannabis no Canadá), desde o início de 2020, as compras de bebidas de cannabis aumentaram rapidamente, representando quase 4,5 por cento das compras globais. Tanto é que empresas cervejeiras já estão entrando nesse mercado, como a Heineken que, recentemente, lançou um produto na Califórnia, assim como a Molson-Coors (cervejaria canadense) que se associou à HEXO (empresa de cannabis) para criar a Truss.

A pesquisa de mercado mostrou que os consumidores estão procurando mais bebidas com menos açúcar e menos calorias. De acordo com um estudo de 2017, da Universidade da Geórgia, desde a legalização das bebidas de cannabis nos EUA, os pedidos de compra de cerveja e vinho caíram 15 por cento na última década. Além disso, as bebidas com infusão de canabinoides no Canadá tiveram taxas de crescimento mais altas do que qualquer categoria comestível em 2020, com base em dados de vendas no varejo em nível de produto.

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Muitas pessoas gostam de cerveja e vinho, mas o álcool é tóxico, viciante, um conhecido cancerígeno e uma das principais causas de morte por doença hepática. Além disso, o álcool é uma fonte significativa de calorias. Em contraste, a cannabis não é tóxica, não vicia e existem evidências emergentes de que os canabinóides podem realmente tratar o câncer e doenças hepáticas. Por último, os canabinóides não adicionam calorias, sem falar que as bebidas de maconha não deixam uma ressaca.

Vale mencionar que, recentemente, o governo canadense divulgou alguns números e, de janeiro a junho de 2021, os canadenses gastaram CA $ 1,8 bilhões, dos quais CAD $ 23,6 milhões em bebidas de maconha (1,3% do mercado), o que significa que ainda há muito espaço para crescer. A título de informação, a flor da cannabis atingiu, no mesmo período, CA $ 1,3 bilhão.

É importante destacar que, a atual regulamentação canadense dificulta o crescimento das vendas de bebidas com canabinóides. Isso porque você só pode comprar no máximo 30 gramas de cannabis por compra, e uma bebida de 355 ml tem 5,07 gramas de cannabis, ou seja, você não pode comprar mais do que 5 latas (o que corresponde a 25,35 gramas de cannabis).

Tal restrição não faz nenhum sentido, já que não há limite para a quantidade de bebidas alcoólicas, ou seja, você pode comprar 50 garrafas de vinho ou 100 latas de cerveja sem nenhum problema. Assim, vemos que não existe um tratamento justo para as bebidas de cannabis. A título de informação, há um movimento de produtores e consumidores pressionando o governo para flexibilizar essa proibição, como pode ser visto na campanha abaixo:

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Créditos da imagem: Cannabis Council of Canada

Além disso, essas restrições às bebidas criaram um mercado desequilibrado. Isso porque, com base nessas medidas (limite de 30 gramas), os consumidores só podem comprar cinco bebidas com infusão de cannabis – mas podem sair de uma loja com 100 garrafas de spray de óleo de cannabis. Outra restrição é o fato de a bebida só poder ter no máximo 10 mg de THC, enquanto não existe essa limitação para flores, muito menos para bebidas alcoólicas. Igualmente não há limitação para outros canabinóides, como CBD, CBG e CBN.

Os cálculos do governo são injustos porque levam em consideração apenas o volume total de uma bebida, independentemente de quanto THC foi usado em sua produção.

As bebidas de cannabis têm um potencial ainda maior para o tratamento de doenças, pois podem ser combinadas com outros ingredientes importantes, como minerais, criando um produto ainda mais saudável.

Tanto é verdade que a província de Ontário está em busca de produtos (bebidas) com alta concentração de CBN e CBG, voltados para consumidores que buscam alternativas de tratamento para várias doenças e que não se adaptaram a flores e óleos. O que demonstra que não só o CBD tem potencial.

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Mais uma vez o Brasil está ficando para trás nessa inovação, porém, devemos ressaltar que o país está amadurecendo e os estigmas estão caindo cada vez mais. Ainda há muito o que desmistificar, mas a cannabis está ganhando mais adeptos a cada dia.

Tiago Zamponi é advogado, gestor em marketing, trabalha com desenvolvimento de negócios, estratégia e planejamento de projetos e, atualmente, também é colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

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