Atletas paralímpicos revelam mudanças positivas no estilo de vida com uso da Cannabis

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Por Kim Belluco

Uma roda de debates que contou com as presenças dos atletas olímpicos Talisson Glock e Susana Schnarndorf encerrou o segundo dia do Congresso da Cannabis Medicinal, realizado no Expo Center Norte. Participaram também da conversa o médico psiquiatra Dr. Pietro Vanni, a médica especializada em promoção da saúde Dra. Paula Dall’Stella, e o ortopedista Dr. Ricardo Ferreira, além do intermediador Dr. Jimmy Fardin Rocha.

Os atletas deram depoimentos marcantes a respeito da vida e relataram como a Cannabis contribuiu para que tivessem um alívio das dores, tanto físicas quanto emocionais. Ambos estiveram na última Paralimpíadas,

Oitava colocada dos 150m medley S4, a nadadora Susana Schnarndorf, 53 anos, foi diagnosticada em 2005 com a Síndrome de Shy-Drager, doença degenerativa conhecida como Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS), que atinge principalmente os órgãos vitais como coração e pulmão, o que fez com que ela deixasse o triatlo e iniciasse a luta pela vida na natação. Precisou reaprender até mesmo movimentos básicos, mas não desistiu e virou medalhista paralímpica.

“O esporte me salvou. Tenho menos de 40% da capacidade respiratória. É uma luta diária contra o meu corpo. Mas não fico pensando nisso. Coloco como meta as competições que tenho pela frente”, disse Susana antes de falar sobre o uso da Cannabis. “A Cannabis me dá uma qualidade de vida que eu não tinha antes com os meios tradicionais. Poder sentir menos dor, dormir bem, conseguir focar exclusivamente em algo, são coisas que fazem a diferença.”

Já Talisson Glock sofreu um acidente de trem aos nove anos. Ele foi atropelado em Joinville, próximo da escola, e teve a perna e o braço esquerdo amputados. Começou na natação e não demorou para se destacar. Hoje, tem cinco medalhas olímpicas, sendo uma de ouro, conquistada em Tóquio.

“Comecei a natação para poder me reabilitar e pude em Tóquio conquistar minha primeira medalha de ouro, o que é um orgulho para qualquer atleta”, explicou Talisson, que também citou a importância da Cannabis. “Sempre soube do CBD, mas não encontrávamos. Anos depois, pude fazer o uso pela primeira vez em uma competição (na última Paralimpíadas). A melhora é imediata. Mas a melhora a longo prazo é a mais significativa. No meu ponto de vista, melhorou muito na questão do sono e da ansiedade. E isso ajuda em outros aspectos também.”

Talisson deu ainda mais detalhes sobre o uso. “O efeito do creme é melhor, independente do esporte. Eu uso sempre quando acordo e quando vou dormir. Quando o treino é mais intenso também. A gente sente uma baixa no sentido de dor e fica mais pronto para o próximo treino. Mas é bom lembrar, não ficamos isentos de todo o resto. Faço fisioterapia, trabalho com prevenção de lesões. Ele sozinho não resolve, mas faz a diferença. Nos sentimos melhores em vários aspectos”, finalizou.

APROFUNDANDO O USO DA CANNABIS

Jimmy Fardin Rocha deu mais detalhes sobre a utilização da Cannabis no esporte. “Temos evidências que o THC não é bom antes da prova. Cai muito bem durante e depois, porque ele pode alterar a performance do atleta e vai jogar o sangue para lugares que não precisam, o que acaba não sendo interessante. Durante a atividade já é mais conveniente, porque o atleta consegue focar melhor na atividade, principalmente quando é, por exemplo, uma maratona. No entanto, exige cuidado, pois o atleta pode se esquecer da dor e acabar machucando o músculo. Por isso acaba sendo proibido nas competições, diferente do CBD, que não altera a performance do atleta e ajuda muito no combate da dor, ajuda na recuperação do atleta”.

Talisson e Susana, ao lado de Pietro Vanni e Jimmy Fardin Rocha

O psiquiatra Pietro Vanni destacou a luta diária do atleta contra dores e lesões. “Vida de atleta é vida sofrida, mesmo sem todos os problemas. É uma vida de empenho, de lesão em cima de lesão. São consumidores de medicamentos, principalmente dos anti-inflamatórios. E a Cannabis ajuda muito em cima disso, engloba até mesmo a redução do uso de medicação. Sem contar que é uma alternativa completamente segura. É muito importante a gente ter uma terapia segura de uma planta.”

A Dra. Paula Dall’Stella foi em caminho semelhante e lembrou a importância de uma boa alimentação em paralelo ao uso da Cannabis. “O atleta tem uma vida difícil, e sofre um grande desgaste físico. Ele consome tudo que ganha, por isso a alimentação acaba sendo muito importante. Sabemos da relação entre os alimentos e os sistema imunológico e endocanabinoide. Que eles inclusive podem ser “ativados” por certas substâncias químicas presentes na comida. E que o seu intestino também se relaciona com o cérebro via esses dois mecanismos.”

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