Até que ponto o esporte é saudável

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(Imagem: Arquivo/Sechat)

Por Jimmy Fardin

Esses dias assistia com meu filho a um programa sobre esportes radicais em que os esportistas tinham que lidar diariamente com dores, lesões, persistir mesmo com sofrimento. Ele então me perguntou na sua sabedoria: pai, porque aquelas pessoas faziam aquilo mesmo doendo?

Isso me fez refletir o que leva um atleta de alta performance a travar batalhas diárias com o próprio corpo? 

Uma dinâmica muito perfeita acontece no nosso corpo, que diante dessa batalha busca sempre uma homeostase (equilíbrio) perante constantes instabilidades.

O esporte quando inventado  em meados de 5000 a.C no Egito/China foi sinônimo de força e dominação. Não tinha inicialmente vínculo com saúde.

Já foi utilizado inclusive como supremacia por várias nações em tempos de guerra. E até tentativa de comprovar a superioridade da “raça ariana”… ainda bem que existiu Jesse Owens para desmistificar que haveria componente racial nos resultados. (dá um Google nele, vale a pena).

O  corpo  humano,  como  um  sistema biológico  dinâmico,   sofre   influências hormonais  frente  ao  exercício  físico,  uma  situação  que,  normalmente, estimula   respostas   psico-biológicas  nos indivíduos. 

Alterações metabólicas que ocorrem de  forma  a  ajustar  às novas  exigências  físicas,  têm  recebido destaque  acerca  do  conceito  de  alostase. O termo  designa  a  condição  de  constante modificação do meio interno dos organismos vivos e  envolve  fatores  psicofisiológicos (hormônios, frequência cardíaca, metabolismo e os estados de  fome  e  saciedade) para a manutenção da homeostase corporal.

As expectativas de resposta a um estímulo podem ser positivas, negativas ou neutras. Quando são positivas e encerram um ciclo de agressões, retomando ao equilíbrio, a saúde não é colocada em risco. Quando a carga alostática é mantida por períodos longos ou resposta adaptativa que encerraria o ciclo de agressões não ocorre, temos a sobrecarga alostática e consequente dano à saúde.

Esse dano pode se manifestar de vários modos, tendo como pano de fundo a perda de tecidos (degeneração), hipersensibilidade, sobrecarga funcional ou transtornos psíquicos. Ou seja, para manter o equilíbrio é essencial um funcionamento adequado dos sistemas que compõem qualquer ser vivo.  

A Grécia antiga passou a cultuar a saúde como ponto fundamental do indivíduo, criando os jogos olímpicos. Porém, não podemos deixar de levar em consideração que o objetivo do esporte em competições, deixou de ser a saúde e hoje em dia é o resultado! Esse foi o norteador do meu papo com meu filho! Do quanto o sonho de se tornar um campeão não pode passar por cima da integridade física.

A busca por uma marca, por uma medalha ou pódio pode muitas vezes gerar um overreaching ou um overtraining. Prejudicando um corpo que é visto como exemplo de saúde.

Para evitar que isso ocorra, a tecnologia já conseguiu amenizar muito esses riscos. Seja por medições, testes, desenvolvimento de protocolos, otimização do exercício, alimentos e técnicas.

Porém, a mesma tecnologia torna a disputa mais acirrada, pois desenvolve roupas, tecidos, chuteiras e carros cada vez mais desafiadores do limite. Os níveis cada vez mais altos de competição geram cobranças aos atletas, internas e externas.  

Os canabinoides fazem parte desse desenvolvimento da ciência e já está comprovado que exercem função fundamental nesse quesito,  uma vez que  são os responsáveis por ativar o Sistema Endocanabinoide,  que faz o feedback dessas reações, gerando o equilíbrio tão almejado.

Eles conseguem reduzir a carga alostática necessária para a homeostase. Por agirem em receptores que promovem a produção de hormônios e substâncias que causam bem-estar, melhora da resposta imune, recuperação muscular têm sido utilizados inclusive como complemento para muitos atletas profissionais e amadores. 

Entretanto, mesmo com os cuidados adequados, tecnologia, alimentação e medicamentos para aliviar essa carga, o sonho de se tornar um campeão pode ser muito mais importante. A determinação e a escolha de buscar a conquista leva à superação dos limites fisiológicos do ser humano.

Então, até que ponto o esporte de alta performance é saudável?  O que leva um ser humano a superar seus limites, muitas vezes danificando sua “máquina” para atingir um sonho, uma superação, uma conquista? Seria essa a magia do esporte? 

O que podemos ensinar aos nossos filhos, futuros campeões, como encontrar essa medida? Fica a reflexão…

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

*Jimmy Fardin é médico ortopedista e traumatologista, com especialidade em cirurgia do joelho e artroscopia, especialista em medicina do esporte, e medicina canábica. Já participou de Olimpíadas e Paralimpíadas como médico. Experiente no tratamento de dor crônica, lombalgia, tendinites, artrose, doenças degenerativas. “Meu objetivo é cuidar de você como ser humano, não só sua patologia”.

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