420 é o código! E o que temos pra comemorar?

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Por Pedro Sabaciauskis

Sim, caros leitores, muitos mais que um número, uma data ou um horário, 420 é um código que conecta todos maconheiros e cannabistas do mundo!

Falar do 420 na data de hoje, além de difícil, é uma responsabilidade gigante. Difícil, porque todo mundo vai falar e responsabilidade porque esse número merece respeito.

Poderia falar como ele começou… com estudantes que se reuniam esse horário – a hora do recreio – nas escolas da Califórnia pra fumar ou, como já ouvi falar, que seria o número do projeto de lei que regulamentou a cannabis na Califórnia… e blá-blá-blá… mas, na real, ninguém sabe exatamente como surgiu.

O que é inegável é que o número ocupou esse lugar de destaque mundial sem nenhuma declaração oficial da ONU ou de um órgão mundial que o valha ou ainda de algum país. Ele surgiu como um código universal pra os amantes da Ganja se reconhecerem sem sofrer discriminação. E, em 40 anos, ocupou o lugar de número mais famoso do mundo e isso mostra a força da cannabis. Esse número, hoje, representa todos os interesses da cannabis: recreativo, medicinal e industrial. Sim, porque, querendo ou não, é a mesma planta e ,sendo assim, é o mesmo número e por lógica o interesse, seja lá de qual setor for, é o mesmo: a REGULAMENTAÇÃO da CANNABIS.

Hoje é o dia dele, do número mor da Cannabis e por isso devemos comemorar! Eeeehhhh Vivaaa!! Putz, peraí.. não temos nada a comemorar. Acabei de me lembrar que estamos no Brasil e por aqui ainda não temos lei, não temos um projeto nacional de cannabis. Continuamos rifando os nosso pacientes e financiando o mercado internacional, muitas vezes com dinheiro público, através de ações judiciais movidos por empresas em parcerias com escritórios de advocacia, ou por contratos de parcerias feitos por lobbistas que circundam os caminhos políticos para fornecer o tratamento via SUS, com o nosso dinheiro, e a custos altíssimos. Isso quando conseguem. E por fim, o pior dos motivos: uma guerra às drogas falida, que, além de não gerar resultados, ainda piora o problema, pois tem um grupo grande e forte com ligações políticas que tiram proveito dessa proibição.

Bem, dito isso, fica a pergunta: por que você brasileiro está comemorando? Bom, se você estiver comemorando e for um ativista, com certeza você já garantiu seu baseadinho do dia 420. Se você for um profissional da cannabis e está comemorando, é porque você está empregado por alguma multinacional que está exportando para o Brasil e levando nosso dinheiro pra fora, ou deu a sorte de trabalhar em um nicho que não lida diretamente com a cannabis. Se você for político e está comemorando, provavelmente está ligado a uma empresa e seus planos estão indo bem. Todos os que citei são privilegiados e são uma minoria ínfima. Porque, a grande maioria hoje, não tem o que comemorar.

As mães e pacientes que dependem desse remédio, os profissionais brasileiros que estão ficando pra trás no mercado mundial, os políticos que estão sendo agredidos por tentarem aprovar uma lei sensata como o PL 399/2015, os prefeitos e governadores que poderiam estar se beneficiando dessa atividade, as associações que trabalham incansavelmente a margem da lei para tratar os pacientes, que não tem condições de pagar pelo tratamento. Todos esses não tem o que comemorar. Mas a culpa não é do 420 e sim do atraso dos nossos governantes. Sendo assim, ao invés de comemorar, devemos refletir e transformar o  420 em nosso código de união daqueles que têm interesse em desenvolver o mercado brasileiro de cannabis. Isso mesmo! Vamos falar de mercado nacional legítimo e não de um mercado nacional colonizado. Porque a próxima pergunta do mercado vai ser: “Você trabalha pro mercado nacional ou internacional de cannabis no Brasil?” e essa resposta definirá quem é quem no tabuleiro da cannabis nacional e separará os especuladores e oportunistas dos verdadeiros heróis que defendem o mercado nacional!

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

Sobre o autor:

Pedro Sabaciauskis é empresário, ativista da cannabis medicinal e presidente da Santa Cannabis.

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