Criança desenganada pelos médicos ganha chance de viver com a Cannabis

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Por Caroline Apple

O destino da dona de casa Cleusa Ladário, de 60 anos, e do pequeno Samuel, hoje, com 14 anos, estava traçado por tortas linhas que, por fim, os levaram para o caminho da retidão e do amor. Mas não sem antes viver uma história marcada por situações improváveis, abandono e uma doença implacável causada por um vírus.

Samuca, como é conhecido, é neto e filho por escolha. Isso porque o jovem é filho de sua filha adotiva, que decidiu tomar outro rumo na vida quando a criança tinha quase dois anos. Foi então que o neto se tornou filho.

Esse processo de separação foi difícil para o Samuca que, pouco a pouco, se entristecia mais com a falta da mãe. Para tentar animar a criança, Cleusa decidiu a levar para conhecer o mar. O passeio não surtiu o efeito esperado e Samuca apresentou uma febre na volta que não passava com nenhum antitérmico.

Preocupada, Cleusa o levou para o hospital. Os primeiros exames não deram nada, mas decidiram fazer uma punção (retirada de líquido da espinha) e nesse procedimento Samuca teve uma convulsão e entrou em coma. Correram com os exames e veio o diagnóstico: encefalite viral por herpes.

Um vegetal

O prognóstico era o pior possível. Não há cura e apenas 30% sobrevive em estado vegetativo até morrer. Após 45 dias em coma, Samuca acordou surdo, mudo e tetraplégico. Foi colocado uma sonda para comer, não se sentava, não fazia mais nada. Estava um vegetal, como os médicos haviam previsto.

Samuca começou a fazer ecoterapia e voltou a realizar alguns movimentos, mas ele apresentava sequelas como as de um derrame. A criança então passou a tomar 18 remédios por dia para conter a epilepsia refratária e o autismo severo que a encefalite viral desencadeou.

Porém, nada funcionava. As duras crises levaram Samuca a perder todos os dentes de leite por conta das quedas, acidentes que levaram a queimaduras e até mesmo uma fratura no crânio. A vida da família entrou no ritmo da sobrevida da criança que ora vegetava e ora vivia a tensão de uma grave crise. Eram 60 crises em um único dia.

A boa nova via e-mail

Cleusa decidiu então estudar tudo o que podia sobre as doenças que o neto que virou filho tinha desenvolvido e convivia já há cinco anos. Para isso, colocou um alarme no seu e-mail para receber todas as notícias relacionadas ao autismo e à epilepsia.

Então começaram a chegar informações de que a maconha poderia ajudar no processo de Samuca. Entretanto, o preconceito pairava sobre Cleusa, que foi criada para odiar maconheiro, que era sinônimo de bandido para ela. Mas diante das circunstâncias, a dona de casa se rendeu à informação e viu que a Cannabis poderia tirar o filho dela daquela condição.

Logo Cleusa batia à porta da Cultive (Associação de Cannabis e Saúde). Lá teve acesso à conhecimentos científicos sobre a maconha e ao óleo de Cannabis. E quando ministrou as primeiras gotas em Samuca algo mudou. O contato visual se estabeleceu depois de anos vivendo com o olhar perdido.

O preconceito deu lugar à aceitação. Cleusa colocou a mão na massa e aprendeu a plantar, colher e extrair o óleo.

Com o tempo, Samuca e a família começaram a ir ao shopping, ao cinema, mercado, teatro, circo…enfim, uma vida social.

O menino desenganado pelos médicos agora é carinhoso, amoroso, ajuda o pai, distingue cores, pinta quadros, toma banho sozinho, coloca a própria roupa e sabe a hora de tomar o óleo. Samuca ainda não fala, mas a família tem esperança de que um dia isso aconteça. Não há mais sonda para comer, nem fralda e nem convulsões.

Hoje, Samuca tem 14 anos. Por conta da chegada da puberdade e as explosões hormonais, o jovem teve uma crise e um remédio alopático precisou ser inserido em sua vida depois de sete anos somente tomando o óleo de Cannabis. Cleusa garante que é uma fase e logo esse medicamento será descartado.

Agora, Samuel é aquele ponto de luz para muitas famílias que buscam qualidade de vida para os seus filhos. Os mesmos médicos que antes garantiam uma vida vegetal hoje procuram por Cleusa para que ela oriente outras mães nesta caminhada canábica.

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